O que eu quero ser? Como responder essa pergunta da forma certa

5 comments
O que eu quero ser?

Lá pelos 12 anos você já mudou a sua resposta umas vinte vezes. Antes queria ser astronauta, depois médico, ator e, por fim, jogador de futebol. Desde que nos conhecemos por gente ouvimos a famigerada pergunta:

O que eu quero ser?
O que eu quero ser?

E sempre respondemos ela de forma errada.

O que eu quero ser?

Talvez por influência dos adultos, mesmo quando pequeninos associamos o "ser" a uma profissão. O que nós somos é interpretado como aquilo que fazemos. O trabalho nos define e, influenciando a maioria das nossas decisões importantes do berço à cova, o trabalho define a nossa vida. Mas você não é o seu trabalho.

O trabalho é uma ocupação, portanto tem caráter temporário. O que eu faço hoje pra ganhar dinheiro pode ser diferente do que faço amanhã. Um bombeiro pode cansar do seu emprego e virar funcionário público, enquanto um advogado pode ficar de saco cheio da vida no escritório e sair pra viajar o mundo fazendo todos os tipos de bico pra se sustentar. Posso mudar a minha ocupação, sem mudar quem eu sou ou o que eu quero ser.

Na minha idade já não ouço a famigerada pergunta, mas se pudesse voltar 10 ou 15 anos no tempo, saberia de uma coisa.

Que eu não quero ser jogador de futebol, porque a carreira acaba aos 30 e poucos e depois? Vou ser o quê?
Não quero ser astronauta.
Não quero ser médico.
Não quero ser advogado.
Não quero ser enfermeiro.

Não quero ser definido pela minha profissão, que pode mudar de um dia pro outro.

O que eu quero ser é livre, viver uma vida do meu jeito, sem restrições e limites impostos pelos outros. Quero ter liberdade de ir para onde quiser, sem me sentir amarrado a um lugar ou a certos problemas. Quero tomar minhas próprias decisões e não depender de ninguém.

O que eu quero ser?
Viajar faz eu me sentir livre

O que eu quero ser é saudável, me sentir forte física e mentalmente. Quero me alimentar bem, não sentir dores nas costas e sair correndo loucamente igual o Forrest Gump, me cansando só depois de uma dezena de quilômetros.

O que eu quero ser é aberto às emoções. Quero sentir medo, ansiedade, frio na barriga, amor, excitação e alegria, mas nunca me sentir apático perante a vida. Quero ficar receoso com o que o futuro reserva, quero sorrir sem motivo quando acordar num dia bom.

O que eu quero ser é alguém que faz o bem sempre que puder. Quero ajudar a natureza catando um papel de bala no chão e jogando no lixo reciclável, fechando a torneira na hora de ensaboar a louça, parando de contribuir para o sofrimento dos animais. Quero parar pro pedestre atravessar, juntar no chão algo que um desconhecido deixou cair, ser alguém de confiança para alguém procurando um ombro.

O que eu quero ser é curioso, nunca deixar de aprender coisas novas. Quero conhecer o máximo que puder do mundo, quero ver outras formas de viver e respeitar aqueles que vivem e pensam diferente de mim. Quero continuar estudando o que me interessa, aprendendo novas habilidades.

E quero ser tudo isso mesmo se um dia não estiver trabalhando, mesmo sem ser nada naquela velha concepção de que você é a sua profissão.

O que eu sou tem a ver comigo, não com o que eu faço.

E você, o que quer ser?


5 comentários:

  1. Cara me identifiquei mto contigo, ainda to resolvendo o q fazer pra ter uma renda td mês e bancar meus gastos e viagens mas d uma coisa eu já sei não quero trabalhar 10h e ganhar pouco não gosto d rotina ter q acordar cedo eu quero viajar pelo mundo e tocar pq música é minha vida, sempre q me perguntavam o q eu queria ser sempre dizia q queria ser cantora e quero fazer isso da minha vida. Um abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É muito bom chegar a essa conclusão de forma tão definitiva quanto você chegou. Espero que possas tocar e viajar e fazer tudo o que gostas nessa vida. Obrigado pelo teu comentário e boa sorte!

      Excluir
    2. Você sabe mesmo o que você quer?
      O quer vai gerar felicidade por completo em você?
      Leia o texto e descubra...
      http://www.nandamendonca.com.br/blog/ensinando-a-valorizar-os-presentes-de-deus

      Excluir
  2. Isso tudo é transitório. Na cova, a conversa é outra. Você sabe mesmo o que você quer?
    O quer vai gerar felicidade por completo em você?
    Leia o texto e descubra...
    http://www.nandamendonca.com.br/blog/ensinando-a-valorizar-os-presentes-de-deus

    ResponderExcluir
  3. Você me descreveu perfeitamente quando escreveu: "um advogado pode ficar de saco cheio da vida no escritório e sair pra viajar o mundo fazendo todos os tipos de bico pra se sustentar".
    Me formei em direito no ano passado, trabalhei quase um ano em um escritório de advocacia, e a única conclusão que tirei de tudo isso foi: eu ODEIO advogar. Ter que ir ao escritório participar de reuniões com clientes, redigir peças, me preparar pra audiências, responder mensagens inconvenientes e fora de hora dos colegas... Tudo isso me adoeceu de tal forma que desenvolvi uma ansiedade bem severa. Não conseguia mais me dedicar a um minuto sequer de lazer, porque estava sempre preocupada e de olho no celular, pensando nas possíveis mensagens que teriam chegado ou iriam chegar.
    Só de ver o balão do wpp nas notificações já sentia taquicardia. A rotina maçante era execrável. Ter que lidar com pessoas cheias de pompa me incomodava demais. Nunca gostei, em um ambiente profissional, dessa necessidade de ostentação de cargos, vestimentas, poder, superioridade. Nunca gostei de me arrumar excessivamente, da obrigatoriedade de estar impecável. Simplesmente não me encaixei. As conversas a respeito do direito ou do trabalho me deixavam com tanto tédio, mas tanto tédio, mas taaanto tédio, que não raro meu cérebro se desligava nas reuniões e conversas informais com outros profissionais. A certa altura, eu não tinha nem mais ideia do que eles estavam falando.
    O resultado não podia ser outro: caí fora do escritório, mas agora não sei o que fazer. Vi seus vídeos sobre freelancer, e acho que vou me aventurar nesses novos rumos por um tempo. Não sei.
    O problema é que, por mais que não nos sintamos felizes com o que é considerado por (quase) todos como "sucesso" profissional, essa hipervalorização dos títulos acadêmicos e a realização profissional atrelada à ideia de cargos de alto retorno financeiro estão entranhadas até no nosso modo de pensar. Meio que se torna inevitável não se sentir um fracasso.
    O pior é que conversei com outros colegas que fizeram faculdade comigo e, pasme, muitos estão na mesma situação.
    Engraçado é que durante a infância, eu sempre me imaginava trabalhando em escritório, ganhando rios de dinheiro e mandando nos outros kkkkkkkkkk que piada!

    ResponderExcluir

Seu feedback é muito importante pra mim! Me diz aí o que você achou :))

2Bits. Tecnologia do Blogger.