Acampar na praia vale a pena?

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Pra quem gosta de ficar mais em casa, no conforto, e relaxar jogando videogame ou vendo TV, tudo bem. Mas pra quem curte natureza, conhecer novos lugares, fazer esporte, suar e curtir com os amigos, não ir pra praia de vez em quando, morando numa ilha com 42 delas, é burrice.

Por isso, fui acampar na praia com uma galera há pouco tempo atrás. Estávamos em 11 ao total, entre amigos próximos e pessoas que nunca tinha visto.

Curti, passei perrengue, sorri e suei. Mas a conclusão na volta, suado e cansado, foi: acampar é foda.

Acampamento e fuga da cidade
Tá bom, nem tão foda assim. Mas é difícil.

Acampar na praia vale a pena?

Acampar na praia exige uma puta preparação. Sem a infra-estrutura mínima que um camping oferece, você precisa saber o que levar e precisa carregar muito peso para garantir que os perrengues não se transformem em algo pior.

Barraca, colchão inflável, bomba de encher colchão inflável, saco de dormir, isolante térmico pra botar embaixo do saco de dormir, protetor solar, repelente, comida, água, álcool, toalha, roupa pra dormir, roupa pra suar e entrar no mar, lanterna e mais repelente são só algumas das coisas essenciais que você tem que levar nas costas. Uma listinha do que levar em geral é essencial para você não esquecer de algo importante.

Além de poder esquecer coisas essenciais (claro que para tudo se dá um jeito, ainda mais sendo brasileiro), tudo isso PESA! E como pesa.

Fui com a mochila cheia até a boca, sem contar as garrafinhas de água extra agarradas na parte de fora. Barraca e colchão inflável foram numa sacola totalmente inoportuna e difícil de carregar. Bombona de 5 litros de água eventualmente machuca a mão. Sacos de dormir e outras coisas são leves, mas ocupam mãos e espaço. É muita coisa pra carregar. Até os amigos bombados e ratos-de-academia sofrem quando a ideia é ir acampar na praia.

Acampar na praia vale a pena?
Foto real de uma mochila no nosso acampamento! Mentira. É do filme Wild (2014).

Aqui em Floripa tem muitos lugares legais para acampar, sendo que em muitos deles você precisa fazer uma trilha para chegar no destino final. Essa trilha que fiz - para a Praia de Naufragados - não era das mais difíceis, mas de qualquer forma durou uns bons 45 minutos de subida íngreme e descida leve e constante (o contrário na volta pra casa, é claro). No meio do caminho, diversas paradas, intermináveis goles d'água, lamentações e suor pra todos os lados. Meus óculos escuros não paravam mais no rosto de tão escorregadia que minha pele estava. Meus ombros e meu pescoço já estavam reclamando do peso. E sequer tínhamos chegado.

Acampando na praia, banheiro é no mato. Isso pode ser um grande problema se você é menina ou quer fazer o número 2. Não tem banho. O conforto de dormir pode ser só um saco de dormir fininho (que na prática é igual a dormir no chão). Se você não der um jeito de conservar, a comida amanhece quase estragada no outro dia. Os mosquitos não te deixam em paz. Sério, não deixam mesmo. O sol te queima todo (e em Floripa faz calor PRA CARALHO no verão). Sem contar as intempéries.

Antes de sairmos de casa, olhamos no quase sempre confiável Windguru que o tempo estaria bom. Mas o site deu uma erradinha de leve na previsão do tempo e nosso acampamento foi vítima de uma tempestade rápida, mas muito forte. A chuva caía pesada e algumas goteiras chegaram a aparecer na minha pobre e surrada barraca de mais de 15 anos de vida. Depois da chuva, veio a calmaria. Mas ela durou só 2 minutos antes de um vento sul fortíssimo atingir as nossas barracas. Detalhe: a minha era a ÚNICA que estava exatamente de frente para o vento. Enquanto outros broders se beneficiavam do vento meio que pegar na quina da barraca e dar uma dispersada, na minha o vento pegava todo numa parede só, fazendo um imenso bolsão de ar que tinha o desejo malígno de arrancar minha casinha do chão. No final passou tudo. Tinha ficado tenso e foi difícil deixar a adrenalina baixar, mas até que consegui dormir algumas horas no chão duro.

Acampamento na praia de Naufragados, Florianópolis
Nosso acampamento, já nos finalmentes. Minha surrada barraquinha é a da direita.

Acampar na praia dá trabalho

O ponto é: acampar na praia dá um trabalho enorme. Mesmo levando “mordomias”, como coisas pra dormir em cima, comida e bebida alcoólica, ainda é algo muitíssimo distante da nossa vida cotidiana moderna. Mesmo que por um curtíssimo período de tempo, você tem que abrir mão de muita coisa, em termos de conforto e higiene, para ter o seu momento de descanso longe do auê da cidade. Quem é fraco não aguenta. Patricinha passa longe.

A pergunta é: por que nós vamos acampar? Alguns dirão que é para se sentir mais próximo da natureza. Outros gostam da aventura. Outros apenas curtem esse escapismo da vida “real” que um acampamento oferece. Seja qual for o motivo, você tem que estar preparado pra abrir mão de muita coisa, suar e possivelmente passar apertos e perrengues não previstos.

Para mim, não tem preço chegar em uma praia com 30 metros de extensão de areia e não encontrar quase ninguém. Jogar uma pelada tranquila com os amigos, jogar frisbee de longe sem se preocupar onde vai cair. Subir a montanha e ver a praia toda de cima. Dar uma fritada no sol e depois voltar pro frescor do mar limpo. Tudo isso vale a pena em 2 momentos: quando você está lá aproveitando e no futuro, quando você lembra de quão bom foi. Mas na hora de ir até o local de acampamento e na hora de ir embora, não faltam preocupações e sofrimento.

Pra você, acampar na praia vale a pena? Gosta de escapar da cidade?


Gosta de acampar?

Se você gosta, acho que pode curtir também o vídeo abaixo, que fiz mostrando a minha praia favorita em Floripa.





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