Desapego material e a arte de jogar fora coisas velhas

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Tenho um amigo que costuma guardar de tudo. Ele tem sempre um objeto ou um pedaço de alguma coisa que pode ser útil no futuro. Uma vez ele catou um plástico meio sujo de pão e guardou, para meu espanto. Nós estávamos viajando juntos e eu não me contive em desabafar: "cara, pra que você tá guardando isso? Joga isso fora!". Ele, com olhar malandro de quem sabe o que está fazendo, só sorriu.

Durante a viagem, precisávamos guardar um rango em algum lugar e simplesmente não tínhamos nenhum recipiente que pudesse ser usado. Nenhuma opção além de jogar a comida fora ou guardar solta dentro da mochila. Eis que esse meu amigo sorrateiramente tira, não sei da onde, um pedaço de isopor usado, aquele saco de pão e sorri: "vamos guardar aqui". A comida ficou bem armazenada. A solução dele foi perfeita.

Se você é como a maioria das pessoas, também costuma guardar coisas para usar "um dia". Provavelmente não guarda pedaços de plástico e de isopor, mas deve ter com você uma porrada de itens de equivalente importância. Acontece que, ao contrário desse meu amigo - que é meio MacGyver - você e eu não usamos de fato as coisas. Guardamos para "um dia", que nunca chega.

Seja uma decoração antiga, um CD que você ganhou de presente ou coleções bizarras que você tinha no passado, tudo vira uma "coisa", desprovida de características, já que não é usada e, portanto, não é nada. É só uma coisa, só um ocupador de espaço.

Decidi que para mim era hora de abrir espaço. Me livrar do desnecessário.

Livrar-se de coisas velhas

Tomei essa decisão porque pretendo me mudar em breve.

Pra não me incomodar em ficar carregando caixas, ou deixando muitos pertences na casa dos outros, decidi que era hora de dar uma revisada em todas as minhas coisas e abrir o tribunal das coisas velhas. Nesse tribunal, eu sou o juíz e decido o que vai e o que fica.

Quando você decide doar roupas geralmente é porque já sabe que tem muitas peças inúteis no armário. Com as minhas bugigangas foi assim, eu já sabia. Na verdade, tinha umas 3 caixas de coisas que eu mal havia tocado desde que tinha me mudado para a minha casa atual, há quase 1 ano. Coisas que mal foram tocadas por um ano inteiro não parecem muito úteis, né?

Decidi que, tirando roupas, tudo que eu tivesse pra guardar, ou deixar pra trás em caso de uma mudança pra fora do país, deveria caber em uma caixa média. Nem aquelas gigantes de mudança, nem uma caixa de sapato. Uma caixa média, cheia até a boca que fosse, mas só isso. Em caso de viajar pra fora, só teria uma mísera caixinha pra deixar estocada na casa de alguém.

O que for útil e necessário estará comigo, o que não for vai pro lixo ou pra essa caixa.

A era das bugigangas acabou.


Por que jogar coisas fora?

Livrar-se de coisas que perderam a sua utilidade tem uma porção de benefícios.


Ocupa menos espaço físico

Aqui em casa, meu quarto não tem armário e os espaços pra guardar qualquer coisa são limitados. Eu tinha três caixas médias ocupando um espaço desnecessário na minha modesta habitação. Se tirasse essas coisas do meu quarto, simplesmente tornaria o cômodo maior.

Não tem mistério: coisas ocupam espaço. No seu armário, nas suas gavetas, embaixo da cama, na garagem ou naquele depósito onde todo mundo coloca suas tralhas: sempre há um espacinho a mais que pode ser aberto se você se desapegar do que não tem mais utilidade. Seu guarda-roupas, seu quarto ou até a sua casa podem ficar maiores.


Ocupa menos espaço mental

Coisas preocupam. Elas precisam ser movidas de um lugar para outro. Coisas pegam pó e precisam ser limpas. Coisas apodrecem, estragam, se perdem e precisam ser conservadas. Coisas ocupam espaço que poderia ser seu. Quanto menos coisas, menos preocupações desse tipo na sua vida.

Em qual desses quartos você relaxaria mais?

Dá menos trabalho

De novo: coisas precisam ser limpas, levadas embora em caso de mudança, transportadas e tal. Simplesmente dão trabalho. Compara o esforço que você teria levando um caminhão de mudanças cheio embora ou uma malinha pequena. São exemplos extremos, claro, mas ter menos coisas dá menos trabalho.


Pode ser dinheiro parado

A maioria das suas tranqueiras não deve ter valor nenhum, mas algumas têm. Se uma tranqueira tem valor, mas não é usada nunca, você está escolhendo deixar o seu dinheiro parado. Escolhendo esquecer que esse dinheiro existe. Faça um favor para você mesmo: venda o que tem valor. Essas coisas que você não usa, quando vendidas, trazem um orçamentinho extra pro seu bolso que pode ajudar a financiar outras coisas. No meu caso, quero um tripézinho, um tripézão, um mouse sem fio e mais uma coisa ou duas. Espero poder comprar tudo isso só me aproveitando do valor que as minhas tranqueiras tem.


Como fazer

Se você já se convenceu que está na hora de fazer aquela faxina caprichada nos seus pertences, chegou a hora de..... procrastinar!?

Não deveria ser, mas é o que a maioria de nós faz. Sabemos que precisamos dar um destino para cada coisa, seja jogar fora, doar, vender ou reorganizar. E isso dá trabalho! Não só trabalho físico, mas trabalho mental. Ou vai dizer que não é difícil pra burro admitir que uma coisa que você gosta, mas não usa nunca, precisa ir embora? "Um dia eu vou usar", a sua consciência te diz.

Bom, é complicado mesmo. Eu sei. Mas pra isso existem algumas perguntas básicas que podem ajudar você a decidir, item por item, o que vai e o que fica.

Obs: o "livre-se" que falo abaixo significa jogar fora, vender ou doar. Nada deve escapar de uma destas três alternativas.


1. Você sabe o que é?

Sim! Pule para a pergunta 2.
Não. Livre-se.

Se você sequer sabe o que é a coisa na sua frente, pode se livrar dela sem medo. A única exceção é se a coisa parecer ter valor, tipo um objeto bizarro de prata ou algo assim.


2. Funciona?

Sim! 
Pule para a pergunta 5.
Não. Se for consertado, tem valor monetário?
   Sim! Venda.
   Não. Livre-se.


3. Tem valor sentimental?

Pergunta complicada. A maioria das pessoas vai confundir valor sentimental com nostalgia. Quase tudo vai trazer lembranças do passado, muitas vezes boas, mas nem tudo tem real valor sentimental. Uma coleção de tazos que você montou quando tinha 10 anos vai trazer ótimas memórias, mas é bem diferente de uma lembrancinha que aquele parente falecido deu pra você, ou alguma coisa que você costumava brincar/ouvir/assistir com aquela pessoa especial com quem você perdeu contato. Tente ser frio, duro com você mesmo, e pensar assim:

Traz  uma nostalgia gostosa? Tire fotos e livre-se.
Tem valor sentimental real? Se não ocupa muito espaço, guarde. Se ocupa, tire uma "amostra" ou tire fotos e depois livre-se.


4. Ocupa muito espaço?

Não. Pule para a pergunta 5.
Sim! Dá pra tirar uma "amostra" da coisa?
   Sim! Tire uma amostra, livre-se do resto.
   Não. Livre-se.


5. É útil?

Essa é mais uma pergunta complicada. Você vai olhar para a maioria das coisas, pensar que pode ser útil "um dia" e hesitar em jogar fora. Lembre-se que há uma diferença abissal entre "é útil" e "pode ser útil".

Aquele meu amigo, por exemplo, guarda uma porrada de coisas que podem ser úteis. Ele parece sempre lembrar das tranqueiras que guarda e as usa de fato no futuro, mas eu e você provavelmente nunca vamos usar.

Por isso, tente seguir uma regra mais rígida, ao invés de fazer análises subjetivas. Considere adotar esse pensamento:

Usa todo dia, toda semana ou todo mês: Guarde.
Usa uma vez por ano ou até menos do que isso: Livre-se.


6. Das coisas que caíram no "livre-se"

Tem valor monetário e pode ter utilidade real para outra pessoa? Venda.
Não vale quase nada e pode ter utilidade real para outra pessoa? Doe.
Não vale nada e dificilmente será útil para alguém: Jogue no lixo.

Minha caixa das coisas que serão vendidas, doadas ou vão pro lixo

Caixa misteriosa: desafio de 1 ano

Se você ainda tiver dificuldades para se desfazer de algumas tralhas, a solução da caixa misteriosa pode ajudar. Vi essa ideia na internet. Nunca tentei, mas veja se não parece brilhante:


1. Não tem certeza se deve se livrar de algo? Ponha esse algo em uma caixa. Vai enchendo a caixa com essas coisas que te deixam em cima do muro.

2. Escreva na caixa a data de daqui um ano exatamente.

3. NÃO faça uma lista do que tem dentro da caixa.

4. Se durante o período de 1 ano você abrir a caixa pra pegar algo que precisou, guarde esse algo.

5. Se você não tocar na caixa durante 1 ano, jogue ela toda fora.

6. NÃO ABRA A CAIXA, ou você vai fraquejar e ficará tentado a guardar algumas dessas coisas inúteis.


Vamos combinar: se você não usar alguma coisa durante 1 ano inteiro, há 99,9% de chances que você nunca vai usar. Livre-se.


Tipos de coisas velhas

Um bumerangue, um chaveiro estiloso, um jogo de roleta. Tem uma porrada de coisas que eu não sei como categorizar, ou onde guardar. Mas a maioria faz parte de certos grupos de objetos que certamente entrarão no tribunal das coisas velhas para o seus próprios julgamentos finais.


Eletrônicos e cabos

Fazendo minha faxina, descobri uma porrada de eletrônicos, principalmente cabos de todos os tipos, que eu nem sabia que existiam. No meio deles tinha um cabo HDMI novinho, que tem valor e obviamente não vou jogar fora. Mas o resto eram roteadores velhos, cabos de rede sujos, milhares de cabos USB repetidos e tal. Mesmo que funcionem, nunca vou usar. Se você acha que algo tem valor, venda. Se não tem, jogue fora. Aqui em Floripa tem alguns lugares que fazem reciclagem de lixo eletrônico, talvez tenha algo assim na sua cidade também. Lembre-se que pilhas e baterias devem ir pra um lixo especial (alguns supermercados ou shoppings têm pontos de coleta), enquanto placas eletrônicas, HDs, celulares e computadores podem ter seus componentes reutilizados.

Meus cabos e eletrônicos a caminho da reciclagem

Papelada

Uma vez eu e meus irmãos chutamos o pau da barraca e começamos a revirar a casa do meu pai nessa tentativa de jogar coisas fora, de abrir espaço. Para a nossa surpresa, o que mais tinha eram papéis. Uma infinidade. Documentos de todos os tipos, impostos de renda de 20 anos atrás e por aí vai.

A maioria dos papéis, principalmente os que possuem alguma ligação com a sua universidade, com o governo ou algo parecido, parecem importantes, mas não são. Veja o que realmente pode ser utilizado e o que você está guardando só com medo de que alguma coisa bizarra aconteça, por exemplo precisar comprovar uma renda ou um gasto de 8 anos atrás. No meu caso, guardei diplomas, históricos escolares, cópias de documentos oficiais e uns papéis do seguro.

Dica: uma boa pedida pra parar de gerar papelada nova é "receber" e pagar suas contas online.


Material escolar ou de faculdade

Você NUNCA vai usar de novo. É isso, não tem mistério.

Antes de ir pra China, eu tinha feito uma "limpeza" dessas no meu quarto, mas por ter recém saído da faculdade, achei que usaria alguns dos meus materiais escolares de novo no futuro. 3 anos após a formatura, surpresa: não usei NADA!

Você provavelmente nem lembra de alguns dos assuntos ou matérias que teve no semestre passado. Se você lembrar e se for precisar de conhecimento nessas áreas no futuro, as chances são grandes de que você vai pesquisar no Google, ou achar aulas completaças no YouTube, ao invés de consultar aquele seu caderno horrível com garranchos indecifráveis. Textos maravilhosos sobre filosofia ou sobre o mercado de opções também não serão usados. Eu achava que poderia ajudar novos alunos da faculdade entregando provas que fiz no passado - assim os novatos poderiam estudá-las e saberiam o que esperar do teste. Mas quando você sai da faculdade ou da escola, a última coisa que vai fazer é voltar pra lá. No meu caso, sequer tenho contato com alguém que ainda está estudando. Por isso, faça um favor para si mesmo e jogue todo esse material fora - ou separe alguns para servirem de papel rascunho.

Papelada da faculdade sob o olhar atento do tribunal

Papelada da faculdade encheu 3 sacolas de lixo bem cheias e ainda rendeu um chumação de folhas pra rascunho


DVDs

Sabe que o meu notebook sequer tem leitor de CD ou DVD? Talvez o seu também não tenha. O meu não tem e nunca fez falta. CDs e DVDs já estão na mesma categoria de discos de vinil: são itens de coleção. Se você gosta de colecionar, beleza. Mas se você tem só alguns perdidos, venda ou jogue fora. Num futuro muito próximo, leitores de CD serão raridade, seja no computador ou em aparelhos de som. Acredite, você não vai ouvir aquele CD velho do Raimundos. Netflix, Spotify, Steam, Origin e até downloads piratas (não diz pra ninguém que falei isso): há muitas opções virtuais que não ocupam espaço físico e tornam o conteúdo mais acessível.


Fotos

Fotos tocam o coração, então o assunto fica mais delicado. Não vou sugerir que você jogue fora porque fotos são quase imortais. Daqui a 100 anos o seu tataraneto pode olhar para elas e saber como você se parecia. Duvido que daqui a 100 anos as suas fotos digitalizadas não tenham se perdido dentro de um HD corrompido ou em uma tecnologia ultrapassada. Por isso, mantenha as fotos. São partes importantes da sua história.

Mas com um detalhe: fotos geralmente ficam guardadas em caixas empoeiradas que não só dão trabalho como sujam a casa e ativam a sua rinite na hora de dar aquela consultada no seu passado. Por isso, minha sugestão é: separe as que mais tem valor para você e escaneie. Além de servir como um backup, elas ficam muito mais acessíveis a qualquer momento. Aproveite que elas estarão a um clique de distância e mande umas fotos antigaças para o seu pai ou para aquele seu amigo de infância.


Livros

Nem todo mundo concorda com o que penso sobre livros físicos. Nesse post aqui comentei os motivos pelos quais você deveria vender seus livros e comprar um Kindle. Imagina colocar o peso e espaço físico de uns 200 livros em um aparelho eletrônico do tamanho da palma da sua mão e que pesa 200g. Parece bom, né?

Vendendo na internet ou trocando no Skoob, alguns já foram e esses são os próximos

Arquivos digitais

Sempre fui de acumular arquivos digitais. Baixava séries para assistir e guardava tudo no PC, com os arquivos muito bem organizados por temporada e número do episódio. Isso começou a mudar quando faltou espaço no meu HD. Tive que escolher uma temporada para excluir. Depois, tive que escolher uma série inteira para jogar fora. E assim fui percebendo que estava guardando aquelas coisas por uma falsa sensação de que assistiria de novo no futuro. Mas a realidade é que raramente assistimos as mesmas coisas repetidamente. Não, nós gostamos de ver séries, temporadas e filmes novos. Mesmo se você quiser assistir algo do passado, não precisa ficar guardando aqueles arquivos para sempre na expectativa remota de utilizá-los. Não precisa mesmo, é só baixar de novo.

O mesmo vale para softwares. Eu costumava guardar os arquivos de instalação, mas agora não guardo nada. Se precisar instalar novamente no futuro, é só baixar. Minhas músicas também eram armazenadas de forma totalmente organizada, mas hoje percebo que 95% das vezes estou ouvindo música no YouTube. Se você também usa o YT, o Spotify ou algum outro serviço, fique tranquilo em excluir a sua biblioteca de sons. A internet não vai explodir de uma hora para a outra, se você sentir falta de uma música vai conseguir achá-la para ouvir sem problemas.

Já falei das fotos físicas antes, mas é importante falar delas em formato digital. Eu pessoalmente não abro mão. Claro que é irracional guardar 10 fotos quase iguais, tiradas na mesma hora. Mas fora isso, guarde tudo. Fotos são parte da sua história, parte de quem você é. Eu particularmente guardo muitas no meu notebook e mantenho o meu álbum completo em um HD externo como backup.


O que sobrou?

Minha caixa nem chegou a ficar cheia. Sobraram nela poucas coisas. Alguns documentos, alguns poucos livros que recebi de presente e não quis vender. Sobraram fotos, mesmo as que já digitalizei. Sobraram algumas lembrancinhas que costumo trazer das minhas viagens e uma coleção de cartões telefônicos que já está na terceira geração da família (será que tem valor ainda?).

Minha caixa dos que ficam

Se tá na caixa, basicamente tem importância como documento ou tem valor sentimental. O resto eu uso se for útil, me livro se não for.


Pra não dizer que não falei das roupas

Roupas são volumosas e possuem muitas variações. Você provavelmente tem várias opções pra usar no verão, uns casacões que só saem do armário no inverno, umas blusas de manga comprida pra usar em meia estação, roupa de praia pra usar na praia, fantasia pra usar no halloween e por aí vai. Se você mora em um mesmo lugar faz tempo, é normal ter bastante coisa. Mas não pense que é tudo necessário.

Se tiver tomando muito espaço, doe as coisas que dificilmente terão valor se vendidas. Não é querer puxar aqueles papos tipo "tá jogando comida fora, sabia que tem gente morrendo de fome na África?!", mas tem realmente muita gente que poderia estar aproveitando essas coisas que estão aí só pegando mofo no seu armário. Doe, faz bem.

E as roupas que estiverem em ótimo estado, que forem bonitonas e tal, tente vender. Há brechós que pagam pouco, mas pagam. Além de receber uns trocados, você ainda ajuda a outra pessoa que vai comprar uma roupa bacana pagando menos do que numa loja.

Outra opção é vender pela internet. A patroa anunciou algumas peças em comunidades do Facebook mesmo e conseguiu tirar um trocado. E mais: conseguiu pegar algumas camisas que não usava nunca e trocar por uma bota que ela estava procurando faz tempo. Se for parar pra pensar, é praticamente como se ela tivesse ganhado a bota - e pra outra pessoa é praticamente como se ela tivesse ganhado algumas camisas. O famoso ganha-ganha!


Não reabastecer a casa com coisas inúteis

Pode parecer óbvio, mas não adianta se livrar de coisas velhas e inúteis se você tem o hábito de obter mais delas. Se você é consumista, saiba que além de gastar dinheiro à toa você só vai estar gerando mais trabalho para o seu eu futuro, que terá que lidar com as suas tralhas daqui a alguns anos quando elas não tiverem mais valor algum.

Ao invés de comprar tudo que você ache legal, tente fazer algumas daquelas perguntas que citei antes. Vai ter utilidade real? Posso vender depois e recuperar um pouco do dinheiro? Estou comprando por impulso? Já tenho algo com utilidade semelhante? Tente focalizar as suas compras para coisas realmente úteis, que você realmente esteja precisando ou que vá usar muito. Livre-se daquelas compras estilo "vou usar quando tiver uma formatura" ou "quando eu viajar para o caribe esse pé de pato cairá como uma luva".


Pena de jogar coisas fora

Meu maior problema é com uma categoria de coisas mais ou menos assim: eu não uso nem usarei nunca, mas está em bom estado e tem um valor pequeno, por isso dificilmente conseguirei vender, mas ao mesmo tempo poderia ser útil para alguém e portanto não quero jogar fora. Deixa eu dar um exemplo: meu mouse funciona sem mousepad. Mas eu tenho um mousepad em bom estado e de boa qualidade. Eu não queria jogar fora, sei que alguém poderia usar. Mas fazer o quê? Ou jogo fora e não olho pra trás, ou tento doar através de alguma comunidade do Facebook, ou pela OLX. Não sei ainda o que fazer.

Qual será o destino do meu mousepad?

Seja nas mãos de outra pessoa ou no lixo, uma coisa eu aprendi: livre-se das coisas inúteis e não olhe pra trás.



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Sim! Acho que você vai curtir o vídeo abaixo, com minhas 4 técnicas para ser mais produtivo.
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Uma coisa que eu vou guardar pra sempre e nunca jogar fora é o seu comentário! :))))

Diz aí o que você achou do post. Você guarda um monte de coisas inúteis em casa? Conta a sua história! Se não quiser comentar, troca uma ideia comigo lá no lá no twitter!


24 comentários:

  1. De tempos em tempos eu dou uma limpa no quarto. Aqui é pequeno e por muito tempo foi o "depósito" da casa; era a caixa misteriosa tamanho família. Vou aplicar muitas dessas dicas aí, vai facilitar bastante a seleção dos itens. Parabéns pelo post e pelo vídeo!!

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    1. Aplica sim, certamente vai ser benéfico - principalmente se você conseguir se livrar dessas coisas que nem são suas. Muitíssimo obrigado pelo elogio e pelo comentário! :))

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    2. Acabei de ler vou por em pratica

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  2. adorei, muito útil e com muita clareza. Parabéns

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  3. Um dos melhores textos sobre o assunto que já li! Super objetivo

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    1. Muito obrigado, Maria Júlia! Fico feliz que tenha gostado! ;)

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  4. Sensacional sua dedicação em compartilhar o seu processo de desapego. Só estou aqui lendo, pois esqueci meus fones na garagem quando tentava me desapegar de kilos de tranqueiras acumuladas depois de uma desapegada monumental que fiz há uns anos. Passei por dificuldades financeiras e achei que acumulando de novo ia resolver. Sua matéria está muito completa, só faltou algo sobre arquivos digitais, apesar de não ocupar espaço físico, ocupam minha mente, pensando em como arruma-los e organiza-los. Que fotos guardar? Tento imaginar como se estivesse selecionando pra um livro, mas ele sempre fica com milhares de páginas, como organizar, com data, descrição? Pra que perder tanto tempo, penso... Aí procrastino. E músicas? Ter todos os álbuns no PC pro caso da internet explodir? E os textos pela metade?...
    Abraço, foi um prazer a leitura.

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    1. Olá Carlos, obrigado por compartilhar o seu caso. De fato ficou faltando uma parte sobre arquivos digitais mesmo! Tenho até bastante experiência com isso, vou anotar na minha agenda para atualizar este artigo adicionando esta parte. Muito obrigado pela sugestão e pelo elogio! Abraço.

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  5. Muito obrigada por compartilhar a sua experiência. Sou extremamente apegada as coisas. Para você ter noção tenho o meu primeiro caderno do jardim escolar. Casei e trouxe tudo o que tinha na casa da minha mãe para nosso apartamento de 38 m2...kkk. Continuo emtulhando coisas. Ontem ao começar a querer se livrar das coisas, de todas as pilhas de entulhos, consegui jogar duas folhas fora. Ao procurar ajuda no google "como se livrar de coisas velhas" apareceu teu artigo. Vou tirar fotos e jogar os itens fora. Sou professora e tenho vários livros de questões para vestibular e sempre penso em passar isso aos meus alunos, mas sempre pego na internet. Ao invés de abrir as várias apostilas com questões. Muito obrigada pela ajuda.

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    1. Legal a sua experiência, Daiane. Pelo que você descreveu, acho que realmente vai fazer bem desapegar de um monte de coisas. Fico feliz de poder ter ajudado, obrigado por comentar! ;)

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  6. Leio muita coisa sobre esse assunto e posso afirmar ki este eh claro,objetivo e nao eh cansativo.me ajudou muito!!

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  7. Olá... Preciso muito jogar algumas coisas fora, mas amo artesanato e adoro criar coisas c material reciclado.. Dai tu já imagina. Kkkk tenho milhares de cds ralados e vivo esperando que um dia eu consiga fazer uma bela arte com eles. Kkkk minha casa só tem dois quartos,o meu e outro que estar cheio de coisas velhas, quero muito organiza-lo pra quando chegar visitas e pra quando meu bebê tiver maior, mas onde vou colocar esse tanto de trem?

    Não consigo jovar fora, pois sempre penso que alguém pode precisar... Mas nunca encontro esse alguém que eu possa doar... E não consigo jogar no lixo.
    Achei excelente a ideia de colocar na caixa e passar um ano lá, se fica rum ano lá eu jogo fora a caixa inteira.. Viu experimentar... Muito grata!

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    1. Experimenta fazer isso sim, Bruna! Também vale a pena seguir aquele passo-a-passo, apesar de um pouquinho confuso funciona muito bem. Espero que consigas se livrar um pouco da tralha... muito melhor receber alguém em casa do que deixar o quarto ocupado com CDs 😅 Obrigado pelo teu comentário! ;)

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    2. Olá Bruna, se vc. é artesã com certeza sabe o valor de cada item, não o valor monetário, mas o que pode fazer ou transformar um objeto parado em obra de arte, e ai sim entra o valor monetário.
      Quem tem dificuldades para desapegar objetos, roupas, calçados e utensilios domésticos, brinquedos e artigos de pesca e esporte tem um grande aliado que é a INTERNET, existem vários sites de compra e venda.
      Já vendi alguns objetos pela internet e além de desapegar ainda ganhei um dinheirinho extra.
      Existe um ditado que diz O QUE É LIXO PARA UNS É TESOURO PARA OUTROS.

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  8. Puxa, achei seu post super esclarecedor e super útil pra quem quer desentulhar a casa e não sabe como. Veio bem a calhar para mim, principalmente essa frase: "livre-se das coisas inúteis e não olhe pra trás."
    Desde dezembro do ano passado, eu tenho resolvido desentulhar meus armários, separar e jogar fora tudo que não me serve mais e organizar meu quarto pra ver se a vida anda. De um tempo pra cá ando meio triste e desanimada por estar desempregada, sem conseguir arrumar nada, então a impressão que tenho é que estava tudo estagnado na vida, incluindo meu ambiente e então resolvi me desapegar de tudo que estava acumulado: roupas e sapatos velhos, papeis da época de cursinho e faculdade, revistas velhas (muuuitas! até me assustei com o tanto!) e quinquilhariazinhas que ao longo da vida a gente junta, entre outras coisas... muita coisa foi pro lixo sem dó e outras ainda estão tendo seus novos destinos, mas confesso que as vezes fico com aquele sentimetozinho de dó por ter jogado algo fora. Por isso que disse no começo que sua frase veio bem a calhar, me fez sentir um pouco melhor para deixar aquela dózinha de lado e olhar pra frente - serve até pra vida num geral, ne?
    E gostei da idéia da caixa, havia lido já sobre ela, mas não tinha pensado em aplica-la, quem sabe agora. :)

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    1. Oi Tathiana! Pra alguns mais, pra alguns menos, mas todo mundo enfrenta dificuldades pra desapegar. Eu me livrei de quase tudo que tinha, mas algumas coisas sempre doem um pouco. De qualquer forma, exercitar o desapego é importante e não tem como exercitar sem se livrar das coisas. Gostei de ouvir tua história, obrigado! ;)

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  10. A matéria é bem legal e muito atual pode se dizer.
    É preciso saber avaliar e ter o bom censo de discernir o que é lixo ou que é reciclável ou reaproveitável.
    Por exemplo: adoro guardar vidros vazios, por dois bons motivos
    Primeiro porque acho perigoso jogá-los no lixo e a natureza precisa de milhares de anos para decompor.
    Em segundo lugar porque serve para guardar pequenos objetos tipo: parafusos, botões, anzóis e uma infinidade de miudezas que uma hora será útil.
    Existe um ditado que diz: O que é lixo para uns é tesouro para outros, algumas pessoas vivem em lixões e ferro-velhos garimpando e procurando por objetos que podem ser reutilizados e até vendidos por um bom valor.
    Eu particularmente já comprei em ferro velho uma máquina de cortar grama e uma bicicleta e estavam perfeitas e as uso até hoje, provavelmente era de alguém que não gostava de nada encostado na garagem ou quartinho de despejo.
    Assim como tem gente que joga, tem gente que recolhe, acho que o comportamento é o mesmo, não é doença nem mania, é a diferença que cada ser humano tem.
    Desapegar para uns não é fácil e se for mesmo guardar que tenha pelo menos organização e critérios de reutilização.

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  11. Se livrar do que não é mais útil e fica lá, apenas acumulando poeira e ocupando espaço, requer tempo... E CORAGEM!!! Temos de espantar a preguiça, e nos organizarmos muito bem; ou, se decidirmos ou formos pressionados por algum motivo ou de alguma forma a fazer tudo meio que ''no susto'', temos de nos preparar para lidar com os ''arrependimentos'' que fatalmente irão surgir. O que eu sugiro mesmo é: PLANEJAMENTO. Tudo feito num rompante tende a gerar arrependimentos posteriores. Ano passado mesmo eu descartei todo meu material de faculdade, livros e trabalhinhos escolares de minha filha, entre outras coisas, sem olhar pra trás. Mas, depois, bate aquele ''aperto no coração''.... E não há o que fazer. Portanto, pense bem antes de descartar algo, ainda mais algo que não tem reposição. No meu caso, a maior compensação foi mais espaço pra mim_ e menos coisas para arrumar....

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  12. Bah! Guri tu é irado!!!
    Vou colocar TODAS AS DICAS EM PRÁTICA... Inclusive as FOTOS, contrariando tua dica de digitalizar (vão fora também!)...por que minha família é uma catrefa, são lembranças ruins... não vale a pena "recuerdos"... só os das viagens, da nova família formada por amigos, essas fotos estão digitalizadas(conforme tuas dicas)... e bem guardadas... Valeu!!!Abraços...

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    1. haha valeu Fernanda, obrigado mesmo pelo comentário e pelo apoio!

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