Quanto custa morar em Berlim? Custo de vida detalhado


Quanto custa morar em Berlim


Eu tinha certeza que queria morar na Europa, mas não tinha ideia de quanto isso ia custar. Queria tirar minha cidadania italiana e até aí planejei tudo direitinho. Depois, com a cidadania na mão, não tinha mais planos e deixei a vida me levar.

Vim parar em Berlim e percebi que muitos brasileiros sonham ou ao menos consideram vir morar aqui. (Pra ser sincero, a cidade tá lotada de brasileiros.) Mas pra quem pensa em vir pra essas bandas, fica a dúvida: quanto custa morar em Berlim?

Quando eu pesquisei, encontrei diversas estimativas na internet, tanto de gente que vive com o mínimo quanto de gente com padrão de vida bem maior que o meu. Mas nenhuma dessas estimativas estava bem detalhada, com preços por mês e preços reais de produtos. Nenhuma delas tinha sido escrita por gente que vive mais ou menos como eu, na economia mas sem ser pão duro. Por isso resolvi criar esse post, bem detalhado para você que tem lá no fundo da cabeça a ideia de vir morar em Berlim ou na Europa.

Espero ajudar mostrando que mesmo estando em uma grande capital europeia, o custo de vida é bem acessível.

Vou dividir todos os gastos em categorias e ir dando mais detalhes dentro de cada uma delas. Mas antes de começar, dois pequenos detalhes:

1) Entre as grandes capitais da Europa, Berlim é uma das mais baratas.

2) Converter os preços para real e aí comparar esses valores com os saláriozinhos que muitos de nós ganhamos no Brasil não dá. Isso faz sentido só para quem vem como turista, quem está aqui de passagem. Morando e trabalhando aqui, você estará numa realidade onde o salário mínimo é de 1.500 euros. Então se for pra converter os preços, converta os salários também. (Aliás, não converta não porque dá mais de 5 mil reais de salário mínimo e isso machuca os nossos corações verde-amarelos.)

Sem mais delongas, vamos ao que interessa.


Quanto custa morar em Berlim?

Abaixo estão descritos todos os meus gastos, divididos em hospedagem, alimentação, transporte, bebidas e entretenimento. Me baseei nos meses que morei em tempo integral na cidade: abril, maio, junho, julho e agosto de 2017.

Não converti nada para reais porque o câmbio muda bastante e, como disse, a conversão faz sentido para turistas, não para quem quer mudar em definitivo.

Hospedagem

Quando cheguei aqui fiquei na casa do meu irmão, alugando um quarto com tudo incluso por 300 euros. Esse quarto foi na base da camaradagem, porque não é fácil achar um lugar confortável pra ficar nessa faixa de preço, a não ser que você se afaste muito das áreas mais centrais da cidade. Ouvi diversos colegas dizerem que gastam cerca de 500 a 600 euros com aluguel de quarto em apartamentos compartilhados.

Saindo da casa do meu irmão, não tínhamos pra onde ir e alugamos um apartamento por apenas 1 mês por 560 euros. A localização era fantástica, perto de tudo, mas o apartamento era BEM pequeno. Certamente era um apartamento para uma pessoa onde acabamos morando a dois, eu e a minha esposa. Para se ter uma ideia, o melhor lugar do ap para abrir um varal e secar a roupa era na frente do banheiro. Aí cada vez que eu queria entrar lá precisava me esgueirar pelo canto do varal para conseguir passar. A situação não era ideal, digamos assim.

Saindo desse ap pequeno começamos a procurar por algo que gostássemos mais e estivesse numa faixa de preço aceitável, cerca de 700 ou no máximo 800 euros, mas é muito difícil. Acontece que a cidade é muito baixa. Ainda há muitas casas por aqui e a grande maioria dos prédios é de quase um século atrás, tendo em média uns 4 andares. Isso faz com que a oferta de moradias em Berlim seja bem baixa, enquanto a demanda é muito alta. A consequência? Apartamentos são anunciados num dia e alugados no outro. Proprietários e imobiliárias sequer se preocupam em responder e-mails direito, ou em colocar fotos nos anúncios, porque sabem que mesmo assim vão conseguir alugar sem dificuldades. E aqui se aplica um princípio básico da economia: quando muita gente quer algo escasso, o preço vai nas alturas. O mercado imobiliário em Berlim é extremamente inflacionado. Conheço gente alugando um ap modesto de 2 quartos por 1.250 euros, por exemplo.

Quando cheguei aqui eu queria alugar algo na faixa de 600 euros, no máximo. Tomei um choque de realidade e aumentei esse limite para 700 euros. Depois 800. Depois 900. E só nessa faixa dos 900 que fui encontrar um apartamento para morar. Ele era todo espaçoso, tinha o quarto separado da sala e uma cozinha moderníssima, mas ficava dentro de um prédio bizarrão que dava medo de morar. Contei essa história com detalhes aqui.

Lá fiquei 4 meses, com tudo incluso nesses 900 euros do aluguel. Vale lembrar que aqui é padrão você ter que deixar o valor de 1 a 3 aluguéis como "depósito de segurança" (caução) com o proprietário ou agência. Quando entramos neste apartamento tivemos que pagar o primeiro mês adiantado e mais um caução de 900 euros, que foram devolvidos quando entregamos o ap sem danos ou prejuízos.

Saindo desse apartamento de 900 euros, encontramos outro por 910 euros e assinamos um contrato por 6 meses. O valor é quase o mesmo, mas o imóvel é bem maior - e fica num condomínio normal com pessoas comuns, o que aprendi na marra que sim, isso é uma grande vantagem. Como de costume, tivemos que deixar uma quantia (1.500 euros) de caução com a proprietária.

Lembrando que isso tudo eu aluguei dividindo com a minha esposa. Então no fim das contas um aluguel de 900 euros sai por 450 euros pra mim, o que na realidade de Berlim é um ótimo valor para viver com privacidade e uma boa dose de conforto.


Resumo da hospedagem em Berlim:
  • Quarto (preço camarada) = €300
  • Apartamento minúsculo = €560
  • Apartamento amplo com agência = €900
  • Apartamento amplo com proprietário = €910
Para alugar quarto em um apartamento compartilhado, eu planejaria um valor de 500~600 euros por mês. Para morar a dois sem ser tão longe das áreas mais centrais, consideraria 400 a 500 para cada um.

Quanto custa morar em Berlim - Hospedagem
A sala-cozinha do meu apartamento atual


Alimentação

Eu cozinho muito em casa, por isso meus gastos com alimentação são quase todos referentes a compras de supermercado. Saio para comer uma, no máximo duas vezes por semana. Quando saio, costumo gastar cerca de 6 a 9 euros por refeição. Tem restaurantes bem baratinhos que chegam a vender pratos gostosos na faixa dos 4~5 euros, mas a maioria sai de 6~9. Claro que estamos falando de comida, então sempre há os dois extremos: você também pode pagar facilmente 20 euros numa refeição se quiser.

No supermercado, que inclui feira, costumo gastar cerca de 100 euros por mês só para mim. Nunca fica muito acima nem muito abaixo disso. E olha que como muito bem, não só em quantidade como em qualidade. Aqui em Berlim é bem comum você consumir alimentos orgânicos, por exemplo, por preços quase idênticos aos preços dos não orgânicos. Também costumo comprar dumplings congelados (bolinho chinês), algas para sushi, muitos energéticos, sorvetes e outros produtos que não são dos mais baratos. Então pode acreditar que os 100zão já incluem certos excessos.

Deixa eu dar alguns exemplos reais para você ter uma ideia melhor dos preços médios de produtos em Berlim:

Comida

Pão de fatia simples (pacote) = €0,59
Pão de fatia com grãos (pacote) = €1,20
Batata/cenoura/cebola/banana (1 kg) = €1
Feijão (1 kg) = €2,40
Macarrão (500 g) = €0,75
Grão de bico (500 g) = €1,80
Castanha de caju ou amêndoas (200 g) = €2
Batata frita Lay's - tipo Ruffles (175 g) = €1
Barra de chocolate (125 g) = €1,20

Bebida

Leite de soja/aveia/arroz (1 L) = €1
Água (1,5 L) = €0,19
Energético (500 ml) = €1
Cerveja barata (500 ml) = €0,29
Cerveja boa (500 ml) = €1
Suco de caixinha orgânico (1 L) = €1,39

Higiene

Desodorante = €1,5
Papel higiênico (8 rolos) = €2,50
Shampoo = €2


Resumo da alimentação em Berlim:
  • Supermercado + feira = €100
  • Restaurantes = €6~9 por refeição, 20~40 por mês pra mim
Aqui em Berlim supermercados como Lidl, Aldi e Penny vendem produtos muito baratos. Principalmente se você se vira bem na cozinha, dá pra economizar muito com comida aqui.

Quanto custa morar em Berlim - Alimentação
Algo que amo em Berlim é encontrar restaurantes tailandeses, vietnamitas e chineses por todos os lados

Observação: Berlim para veganos

"Fucking paradise", como disse minha esposa uma vez.

Em Floripa as pessoas me perguntavam "VÊ O QUÊ?". Na cidade inteira tinha no máximo uns 5 lugares com boas opções veganas para comer. Entre os meus amigos, rolava preconceito por eu não comer produtos derivados de animais. Aqui é bem diferente. As pessoas têm familiaridade com o que a palavra vegano significa, sabem diferenciar de vegetariano e, principalmente, há muitos veganos e vegetarianos aqui. Isso faz com que as opções de lugares para comer comida assim sejam muitas. Mesmo lugares que não são 100% veganos costumam ter pratos veganos. Alguns marcam no cardápio quais são os pratos veganos (e quais são sem lactose, sem glúten, etc.). Muitos restaurantes também marcam cada prato com letrinhas que representam ingredientes que aquele prato tem (soja, peixe, leite, ovo, nozes, etc.). Isso é voltado principalmente para quem tem alergia, mas para quem não come derivados de animais é excelente também!

E não é só nos restaurantes. Nos supermercados você encontra sem tanto esforço (em supermercados normais), produtos como queijo, presunto, salsicha, hambúrguer, sorvete, picolé e até fake frango, tudo vegano. Aqui a certificação de produtos veganos é levada a sério e muitos produtos vem com uma etiqueta indicando bem claramente se ele é vegano ou vegetariano. Não estive em todos os lugares do mundo para poder afirmar com toda a certeza, mas pelos relatos que vejo de outros, Berlim parece ser a melhor cidade do planeta para veganos se alimentarem! :)

Berlim para veganos
Encontrar queijo vegano fácil e sem ser tão caro é <3

Transporte

O transporte público em Berlim funciona muito bem. Metrô, ônibus e trams (trem de superfície) são integrados, o que significa que comprando uma passagem você pode usar qualquer uma dessas coisas.

Os preços são todos tabelados, então para facilitar:

  • Passe simples = €2,80
  • Pacote com 4 passes simples = €9
  • Passe para trajeto curto = €1,70
  • Passe para um dia (ilimitado) = €7
  • Passe mensal (ilimitado) = €81

Eu pouco pego o transporte público, já que Berlim é coberta de ciclovias que funcionam. Não só a cidade é bastante plana, o que ajuda nas pedaladas, mas as ciclovias são integradas, estão em ótimo estado e todos, incluindo pedestres, motoristas e outros ciclistas, respeitam os ciclistas. Bom, quase todos, sempre aparecem uns babacas. A ciclovia é de graça, claro, mas uma bicicleta nova aqui custa os olhos da cara: uma comum sairia ao menos uns 250 euros. A minha usada em um estado decente custou 50 euros, mas estimo que entre consertos e acessórios já gastei mais uns 50 com ela. A patroa comprou uma bicicleta usada por 40 e outra por 60. Dá pra achar umas assim baratinhas, mas claro que nunca vêm perfeitas e costumam dar prejuízo na manutenção.

Quanto custa morar em Berlim - Transporte
Minha vermelhinha vai comigo pra onde quer que eu vá

Outra opção de transporte muito incrível aqui são os carros e motos compartilhados. As empresas espalham esses veículos pela cidade e você, tendo um cadastro com eles, basta chegar ao lado de um dos veículos, pagar/desbloquear o aluguel pelo aplicativo e feito: a porta abre ou a moto dá a partida. Fácil assim. E o melhor: é tudo barato. Um trajeto de até 30 minutos de scooter, sendo que você não precisa se preocupar em reabastecer ou em deixar ela em um lugar específico, custa meros 3 euros. Ou seja, ir dirigindo com a liberdade de fazer seu próprio trajeto sai praticamente o mesmo que o metrô. E mais: as scooters são elétricas então você ainda diminui o seu impacto ambiental. Há um serviço idêntico para carros que costuma sair por cerca de 10 euros por hora, sendo que os gastos com estacionamento e combustível já estão inclusos! Vale muito a pena e infelizmente não uso esse serviço por falta de carteira de motorista válida na Europa.

Motinho compartilhada. Foto: divulgação COUP.


Resumo do transporte em Berlim:
  • Comprar uma bike usada barata = ~€60
  • Usar transporte público uma vez = €2,90
  • Usar transporte público o mês inteiro = €81
Eu pessoalmente gastei apenas de 10 a 20 euros por mês com transporte público.


Bebidas

Bebida aqui é muito barato. Muito mesmo. Em quase qualquer supermercado dá pra encontrar cervejas baratas por 39 ou até 29 centavos a garrafa de 500 ml! Aí você pergunta: mas presta? Presta. Pra mim presta. Sinceramente acho até mais gostosas que Skol, Brahma ou qualquer outra cerveja aguada dessas feitas de milho transgênico. Inclusive, as cervejas alemãs precisam passar por um controle de qualidade que não permite esse tipo de anormalidade.

O preço é um problema, já que dá pra ficar bem bebum com 2 ou 3 euros. Se você quiser tomar cervejas boas (e boas digo muito boas mesmo: artesanais, de trigo, belgas, tchecas e etc.) vai pagar cerca de 90 centavos a 1,10 por garrafa de 500 ml. Mesmo bebendo breja boa, sai barato.

Em supermercados há vinhos de um euro pra cima. Eu costumo comprar um orgânico de €2,50 que é bem delícia. Por 6~7 euros já é possível comprar vinhos que no Brasil eu imagino que se equivaleriam a 70~80 reais. Sabe aqueles barris de cerveja pequenos que de vez em nunca seu amigo cervejeiro leva pras festinhas? Um barrilzinho desses de 5 L sai coisa de 5 euros para cervejas mais baratas, 10 euros o da Heineken.

Beber fora sai mais caro. Barzinhos baratos vendem cerveja e chopes a cerca de 2~2,50 cada garrafa ou copo. Nos barzinhos normais fica em torno de 3~3,50. Um drink custa de 5 a 10 euros.


Resumo de bebidas em Berlim:
  • Beber até cair em casa = €3 (29 centavos por breja)
  • Tomar umazinha no bar = €3

Meus gastos pessoais com bebida alcoólica têm saído cerca de 15~20 euros por mês. Considerando que eu tomo as cervas mais baratas em casa e quase nunca vou no bar, dá pra ter uma ideia de quanto eu andei bebendo. Até por isso acumulei uma pancinha pela primeira vez na vida e depois decidi cortar o álcool por um mês.

Custo de vida em Berlim - Bebidas
Quando tinha recém-chegado comecei a experimentar uma pá de cervas diferentes


Entretenimento

Eu sou do tipo que gosta de atrações gratuitas. Vou a pouquíssimos eventos pagos. De qualquer forma, vai abaixo os preços de algumas coisas que fiz.

  • Gorjetas naqueles 'Free' Walking Tours = €5
  • Jogo do Hertha Berlim (Campeonato Alemão) = €18
  • Subida na famosa Torre de TV = €13
  • Espetáculo de dança = €20
  • Tour de barco pela cidade = €12,50

Abaixo um vídeo com imagens que fiz no passeio de barco. Bem bacana ver Berlim por esse ângulo :)



Quanto custa morar em Berlim - média por mês

Hospedagem = €450
Alimentação = €130
Transporte = €20
Bebida = €20
Entretenimento = €20
Outros = €50

Quanto custa morar em Berlim por mês = €690

É caro? De novo, convertendo pra real fica bem carinho. Mas morando aqui, todos esses gastos, que incluem uma moradia bem confortável e comida/bebida liberada o mês inteiro, dá cerca de 46% do salário mínimo alemão. Comparando, é como se alguém fizesse uma análise igual a essa para morar em São Paulo e o gasto mensal médio fosse de apenas 431 reais.

Eu gastava de 1.000 a 1.700 reais por mês para viver em Floripa, com dois poréns: 1) eu morava de favor, então pagava contas e meus custos, mas não aluguel, o que aumentaria ainda mais o meu custo mensal; 2) Florianópolis ainda é uma cidade relativamente barata, então os custos certamente seriam maiores caso eu morasse em São Paulo ou no Rio.

Ou seja, meus custos em Floripa representavam de 110% a 180% do salário mínimo brasileiro.

Em outras palavras, o quanto custa morar em Berlim nem se compara ao custo de vida nas cidades grandes do Brasil levando em consideração a renda mínima e média dos cidadãos destes países. Aliás, fiz um vídeo examinando com detalhes essa diferença. Assista abaixo:





Interessado em ir para Berlim? Então acompanhe um pouco dos vídeos que gravei por lá! É só acessar a playlist no YouTube clicando aqui. ;)

Ah, e qualquer dúvida que você tiver sobre o custo de vida em Berlim ou sobre a cidade em geral, me avisa nos comentários! Muito obrigado por ler até aqui! ;)


Se me roubam, por que não posso roubar?

Adidas The Base
Onde as tretas acontecem

O jogo tava difícil, pegado. A verdade é que o outro time era bem melhor que a gente. Eles sabiam tocar a bola, criavam jogadas bem elaboradas. Nós éramos mais limitados, ficávamos na defensiva esperando uma chance de sair no contra-ataque. Abrimos 2-0, mas eles viraram para 2-4.

Era o time da firma jogando contra outra empresa. Aliás, se a sua empresa pensa em fazer networking com outras através de um campeonato de futebol, péssima ideia. Dá mais treta do que gera bons contatos.

O jogo tava se encaminhando pro final e o time ficou um pouco molenga, meio que desanimado sabendo que seria difícil virar o placar, sabe? Mas numa jogada individual conseguimos marcar o 4-3. Agora tínhamos chance de novo. Como a esperança muda o estado de espírito das pessoas! De repente estávamos de novo com o sangue fervendo, tirando energia de onde não tinha mais, correndo e gritando e tentando. Até que veio o lance fatídico.

Bola com os caras. Eu tô na defesa, perto da lateral-esquerda, marcando esse adversário. Ele controla a bola com a perna direita, partindo pra cima de mim, e dá um corte pra esquerda. Eu estico minha perna em vão. Não pego a bola. Meu pé vai direto na canela do coitado. Ele cai no chão e a bola fica com o nosso time.

Na hora eu levantei o braço e gritei pro juiz: "FOI FALTA". O juiz não ligou. Pedi desculpas pro cara, que meio que não quis saber, levantou e saiu reclamando. Na hora que olhei pra frente meu colega tinha acabado de chutar. A bola entrou no lugar mais delicioso do gol, no ângulo, e o jogo estava empatado. 4-4.

Eu normalmente berro pra caralho, grito, comemoro quando sai gol. Mas não consegui, fiquei me sentindo mal. Fiz uma falta claríssima em cima do cara, o juiz não deu mesmo comigo acusando a falta, e empatamos o jogo logo em seguida. Como o futebol é injusto, pqp.

O jogo seguiu. Roubei uma bola na ponta direita e cruzei pra um companheiro que tava livre no meio da área. Mas cruzei mal, em cima de um zagueiro que bloqueava o caminho. Dei sorte e a bola acabou passando no meio das pernas do zagueiro e sobrou com meu colega. O goleiro tentou sair pra cortar a bola, mas a redonda ficou com o cara do meu time, que agora tinha o gol aberto, a bola nos pés e a chance de virar o jogo pra gente.

Mas como o mundo dá voltas, ele sem goleiro e quase embaixo do travessão conseguiu o feito de chutar pra fora. E o juiz apitou o fim do jogo na hora. Tivemos a chance de ganhar no último segundo da partida, mas o destino deu uma consertada na cagad* que tinha feito antes e a bola não foi pras redes.

No final do jogo sentamos na arquibancada exaustos, tomando água e tal, quando um outro cara do meu time me fala: "Pedro, não fala nada cara!"

Nessa foto em Ultra HD dá pra me ver de calção vermelho ali na marca do escanteio

Respondi: "Cara, cada um cada um. Eu gosto de jogar limpo, só isso."

Ele: "Sim, entendo, mas se o juiz não apitou, não fala nada!"

Eu: "Mas foi uma falta clara cara. Eu chutei a canela do maluco. O nosso gol não deveria ter contado, foi falta minha."

Ele: "Sim, mas teve outro jogo em que nós perdemos porque o juiz errou também".

Esse argumento mexeu comigo.

Respondi: "Sim cara, mas se fôssemos todos pensar assim nunca ninguém faria um ato de boa fé no futebol. Nunca teríamos um Miroslav Klose, que várias vezes na carreira pediu para o juiz anular gols depois de ter marcado em impedimento, ou com a mão."

Ele: "É...."

Ele não falou mais nada, sabia que eu tava certo. No calor do momento as pessoas tentam ganhar vantagem de qualquer jeito (e olha que ele nem era brasileiro!). Mas analisando racionalmente, alguns desses argumentos são tão rasos e falhos que simplesmente não há o que discutir.


Um dos lances de fair play do Klose na carreira:


Eu poderia ter ido mais fundo na discussão. Poderia ter dito que esse argumento do "me roubaram, então posso roubar" é perigoso, porque pode justificar todo tipo de coisa ruim nesse mundo. Se os políticos corruptos roubam nosso dinheiro todo dia, por que não posso sonegar impostos? Se fui mal tratado pelo garçom num bar, por que não posso sair sem pagar, ou tratar ele mal também? Se um dia um carro passou na poça e me molhou na rua, por que tenho que tomar cuidado em não passar na poça perto de pedestres? Em geral, se me prejudicaram, por que não posso prejudicar os outros?

E assim seguimos, um fazendo merd* porque o outro já fez, e ninguém se sente tentado a fazer o bem, fazer o que é o mais correto.

É apenas um entre tantos argumentos ridículos e falhos que usamos ou ouvimos no nosso dia-a-dia. Como aquele de quem joga papel de bala ou bituca de cigarro na rua: "um só não vai fazer diferença". E 1+1+1+1+1.....? E se todos pensassem assim, como estariam as ruas? E as falácias argumentativas são inúmeras:

  • Quando alguém pega um caso isolado para justificar o todo. Exemplo: uma loja com 99% de avaliações positivas não ser confiável porque um amigo de um amigo não recebeu o produto que comprou.
  • Quando A gera B então A vai sempre gerar B. Exemplo: jogando na defensiva conseguimos bons resultados, então jogar na defensiva é sempre a melhor estratégia.
  • Quando alguém usa uma afirmação irrelevante para defender um ponto de vista. Exemplo: fulano nunca faria isso, ele parece uma boa pessoa tão boa.

E por aí vai.

Me parece que quando é para defender o seu, as pessoas usam as maiores falácias argumentativas que conhecem, deixando a racionalidade de lado. Se eu fui prejudicado, posso prejudicar o outro. Mas se meu vizinho usa o mesmo argumento, ele é um filho da puta, safado, sem vergonha. Se jogo minha bituquinha de cigarro no chão é só uma e não vai fazer diferença, mas se alguém joga lixo no meu quintal é porco e mal-educado.

Claro que em diversas situações fica difícil agir de forma mais bem pensada. Na mesma pelada desse dilema moral, tive uma discussão com um colega de equipe e fui grosso com ele. Depois pedi desculpas, mas no calor do momento não tomei a melhor decisão que poderia tomar. É normal, é humano. Mas creio que devemos fazer um esforço consciente para tirar essas laranjas podres da nossa mente. Espero que na próxima discussão que eu tiver em uma pelada, minha mente lembre rapidamente dessa discussão e trate qualquer outra treta com mais calma. Espero que o meu colega do "me roubaram, posso roubar" lembre da nossa conversa e tenha uma postura mais justa nas próximas peladas, mesmo se o adversário não fizer o mesmo.

E na dúvida, sempre uso uma frase que ouvi não sei de quem, não sei onde, mas que busco utilizar toda vez que me vejo sem saber o que fazer.

Na dúvida, faça o que é certo.

E o que é certo muitas vezes nós sabemos, só não fazemos.


O blog anda pra lá de abandonado. Eu poderia dizer que tô sem tempo, o que é verdade, mas atitudes demonstram prioridades e na real eu andei priorizando outros projetos na frente do doisbits. De qualquer forma, você que leu até aqui: por favor deixa um comentário pra me dizer o que achou desse dilema. Escrever sem trocar ideia com quem lê não tem graça!


Por que DOIS BITS?


Pra conseguir explicar o significado de dois bits, tenho que falar sobre o que eu estava pensando na época da criação do blog. A história é longa, mas vai fazer sentido no final! ;)


Um dia eu tava vendo um daqueles vídeos que faz você pensar o quão pequenos somos no universo. Ele desenvolvia uma linha de raciocínio mais ou menos assim:

Você é apenas uma entre 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta Terra nesse momento. 7 bilhões, já pensou o que é isso? Para efeito de comparação, imagine que a Mega Sena de final de ano acumulou por uns 50 anos. Quando o incrível prêmio final de 7 bilhões de reais saiu meio século depois, você ganhou apenas 1 real de toda a montanha de dinheiro. 1 mísera moedinha de real. É isso que você é no mundo. E até 2050 seremos 11 bilhões de pessoas.

Você é apenas 1. Crédito da imagem: dormstormer.com
Isso somente no nosso planeta. Não encontramos vida em outros planetas ainda, mas só no Sistema Solar são outros 7 além da Terra (foi mal aí, Plutão!). Só Júpiter é mais de mil vezes maior que a Terra. E o Sol então? Caberiam pelo menos 1 milhão e 300 mil Terras dentro dele.

Por falar na nossa linda estrela maior, o Sol é apenas uma entre ao menos outras 100 bilhões de estrelas estimadas na nossa linda galáxia, a Via Láctea. Aliás, você já viu aquelas fotos com longa exposição da Via Láctea à noite? É uma coisa maravilhosa de se ver.


Essa coisa enorme que é a nossa galáxia, com ao menos outras 100 bilhões de estrelas como o Sol, é também uma entre ao menos outras 100 bilhões de galáxias no universo. Isso mesmo! Fazendo as contas, chegamos a conclusão de que o nosso Sol é apenas uma entre 100 bilhões de trilhões de estrelas no universo. E ainda tem gente que não acredita em vida fora da Terra!

Somos uma micro luz disso tudo 

"Tá Pedro, já entendi. Somos minúsculos no Universo, mas e daí?"

Até rimou, mas deixa eu terminar o raciocínio antes. Todos esses números que falei até agora são apenas representativos do nosso universo observável. Isso quer dizer que em toda a história da humanidade, os cientistas e estudiosos mais fodões que já existiram não conseguiram bolar uma forma de enxergar além destas 100 bilhões de galáxias. Por que? Porque nos 13,8 bilhões de anos de existência do universo, a luz de outras galáxias mais distantes ainda não teve tempo de chegar aos nossos olhos.

E se houverem outros universos? Esta é uma teoria amplamente aceita por alguns dos cientistas mais renomados do mundo. Ao invés de trabalharmos com a ideia de que somos o único universo existente, poderíamos ser apenas um entre outros sabe-se-lá-quantos bilhões de universos. Quão grande é o cosmos? Alguns acham que é infinito. E você aqui, na frente do seu computador, é menos do que um grão de areia no meio disso tudo. É um átomo, ou só um próton, comparado com o tamanho do cosmos.

Pode ser que nosso universo seja só uma bolhinha dentre infinitas outras. Crédito da imagem: Maciek Bielec.
Você, eu e todos que você conhece somos insignificantes no panorama geral das coisas. Completamente irrelevantes. A Terra, o Sol: irrelevantes. Nossa galáxia: irrelevante.

Mas trazendo um pouco a visão do infinito para o que nos cerca, vemos que cada uma dessas insignificâncias é muito importante para as outras insignificâncias que estão por perto.

O Sol não é nada, mas sem ele como estariam os planetas do Sistema Solar? A Terra certamente não existiria, ou estaria completamente morta. Você não existiria. O Sol nos dá vida, faz a Terra acontecer. De forma similar, o que seriam dos seus amigos e familiares se você se fosse? O quanto de impacto você não tem na vida de cada uma dessas pessoas? O quanto você não interfere em tantas outras vidas só com uma conversa, um sorriso, uma trombada na rua sem querer? Se você não existisse certamente haveria um impacto nas pessoas próximas, na sua faculdade, no seu trabalho, no seu bairro. Você é importante para outros entes que estão conectados com você.

E na internet a lógica é exatamente a mesma.

  • Você está nesse momento visitando um site dentre outros 1 bilhão de sites existentes no mundo virtual.
  • Cada vez que você entra no YouTube, está assistindo apenas alguns minutos de 1 bilhão de horas de conteúdo visto por dia - isso dá 114 mil anos de vídeos sendo assistidos todos os dias!
  • Só no Google são feitas 3 bilhões de buscas todos os dias.
  • A cada segundo são enviados 2 milhões e meio de e-mails (tudo bem que a maioria deve ser SPAM eu imagino).

Ou seja, na internet você também não é nada. No grande mundo virtual, qualquer ação que você tome é completamente insignificante. Eu escrevendo esse texto aqui é a mesma coisa: completamente irrelevante. Um só indivíduo não é nada, mas ao mesmo tempo representamos muito uns para os outros.

E foi daí que surgiu a ideia para o nome dois bits.

Bit é a menor unidade de informação que pode ser armazenada ou transmitida. Então eu e você somos bits, saca? Somos minúsculos e insignificantes, mas se um bit não existisse um pedaço de informação específica não existiria, estaria incompleta. Aqueles bits são importantes para os bits com quem se combinam para formar um dado, um sinal.

Na internet, eu e você somos como zeros e uns
Então a minha ideia é que nós, os dois bits, tivéssemos uma relevância um para o outro de alguma forma. Que eu escrevendo minhas experiências e pensamentos aqui pudesse ajudar você de algum jeito, conseguisse ser minimamente importante na sua vida nem que só por um momento, e que você lendo o que escrevi também estivesse me ajudando, me dando feedback sobre o meu trabalho, dando pontos de vista alternativos, impulsionando o site para a frente.

dois bits: completamente insignificantes no panorama geral das coisas, absurdamente importantes um para o outro e para o microcosmo onde cada um está inserido.

Fiquei apaixonado pela criação do designer que fez esse logo pra mim: parecem duas pessoas se abraçando, tem dois círculos para representar os dois bits e ainda formou o número 2 no centro. O cara conseguiu entender perfeitamente o significado. (Link dele lá no Fiverr).

O que você achou do significado? Como se sente sabendo que nesse tempo todo um dos bits era você? Deixa o seu comentário! :)

Vale avisar que este post também está disponível em vídeo:


Engordei pela primeira vez e estou me sentindo velho (de novo)


Pela primeira vez na vida, eu engordei.

Não muito, sabe? Sou magro e sempre fui magro, mas recentemente cultivei uma bela de uma pelanca abdominal. Meus genes me deram um metabolismo muito rápido pelo qual sou grato. Durante a vida inteira, esse metabolismo rápido me proporcionou comer e beber o quanto eu quisesse sem acumular quase nada de gordura no corpo.

Se eu estivesse fazendo exercícios regularmente então, ficava fininho. Corrida, academia, jogar futebol, pedalar. Qualquer coisa era o suficiente. Eis que aos meus 27 anos, não é mais.

Antes de começar, queria deixar claro que tudo isso é a minha experiência pessoal. Não tenho nada contra quem tem uns quilos a mais. A questão é que eu, pessoalmente, estou incomodado com a minha situação. E essa situação me fez refletir. Mas é claro que se você é magro, obeso, raquítico ou gordinho e está feliz consigo mesmo e com a sua saúde, tudo ótimo. O mesmo vale para a idade: não estou dizendo que 27 anos é velho, mas que eu me senti velho algumas vezes. Tem gente que se sente velho com 19, tem gente que chega aos 35 e acha que está no seu auge. Cada um tem uma experiência diferente, sem preconceito nenhum!

Engordei pela primeira vez na vida

Comparando com a maior parte da minha vida, eu estou bem sedentário. Quando era criança não parava quieto. Na fase adulta sempre me envolvi com atividades físicas. Há poucos meses, ainda morando no Brasil, eu tinha consolidado um ótimo hábito de correr quase todos os dias. Estava batendo 10 km de correria com frequência, melhorando meus tempos e me sentindo mais resistente. Mas nos últimos 7 meses, desde que vim para a Europa, isso mudou.

Começa que eu cheguei na Itália em novembro, quando o frio já vinha batendo sem piedade. Dali pra frente as coisas só pioraram. Fomos adentrando no auge do inverno e ficou mais frio. Da Itália fui pra Alemanha (ainda mais frio). E se tem uma coisa que destroça a sua motivação para fazer uma atividade ao ar livre é o frio. Com -5º ou -10º na rua, quem vai querer sair pra correr? Nem eu, nem ninguém.

E assim fui ficando mais sedentário.

Praticar esportes com esse tempo é para os fortes

Desde que comecei a trabalhar no escritório em março, tenho pedalado razoavelmente bastante. Todo dia faço uns 6 km somando o trajeto de ida e volta. Quando saio pra fazer outras coisas ou pra passear no fim de semana, vou sempre de bike. Aqui em Berlim tem ciclovia pra todos os lados, então mesmo de bicicleta dá pra atravessar metade da cidade tranquilamente em uns 30 ou 40 minutos. Mas pedalar pra cima e pra baixo não tem sido o bastante.

Fosse há 1 ou alguns anos atrás, essa pedaladinha diária já seria o suficiente para eu poder comer e beber de tudo sem me importar em acumular nada na pança. Agora não é mais.

A culpa é da idade

Minha teoria é de que meu metabolismo começou a entrar numa leve curva decrescente cedo. Bem cedo. Até tem gente que começa a ficar com o cabelo branco (ou sem cabelo) na minha idade, mas essa queda no metabolismo me pegou de surpresa. Sempre fui ativo e saudável, não esperava por isso. E dá um medinho.

Dá medo porque isso pode dar início a uma série de outras coisas que a idade traz. Jogador de futebol depois dos 30 já dizemos que está ficando velho, porque o corpo começa a apresentar limitações. Será que a partir de agora vou conseguir correr menos, serei menos ágil jogando bola, perderei resistência? Será que com a queda do metabolismo em breve começarei a ficar com uns cabelos brancos, perder cabelo, ficar com marcas de idade no rosto? Sou muito novo ainda, não queria estar tendo que pensar nisso.

Estou me sentindo velho

Meu metabolismo desacelerado somado com outros fatos me fizeram perceber que estou me sentindo velho (de novo).

  • Vários dos meus colegas mais próximos lá na empresa têm na faixa de 22 anos. Eles já me consideram um cara mais velho.
  • Uma outra colega me perguntou quantos anos eu tinha. Quando respondi 27 ela disse: "nem tão velho, nem tão novo". Foi um soco no estômago depois de ouvir a vida inteiro o quão novo eu era.
  • Na hora de preencher a idade em cadastros e pesquisas, já saí da categoria "18-24" e entrei na "25-34". Para hábitos de consumo e interesses, já me consideram mais parecido com um cara de 34 anos do que com um de 24.
  • Algumas bolsas de estudo, concursos e etc. são voltados para jovens. Não lembro qual era agora, mas em um deles eu fui olhar bem interessado e na hora de ler as regras levei um tiro: eu não me enquadrava mais como "jovem".
  • Molecada mais nova não sabe o que é disquete, walkman, não identifica o barulhinho da internet discada, não viu o 11 de setembro, alguns não viram nem o Brasil vencer a Copa de 2002.
  • Navego pelo YouTube e parece que quase todos os vídeos recomendados foram feitos para adolescentes. É difícil eu me interessar em assistir alguma coisa. Só de ver aquelas thumbnails então...
  • Minha "priminha" já tem mais de 20 anos e virou tatuadora profissional. Minha "irmãzinha caçula" já passou no vestibular.
  • Já faz uma década que saí do colégio, 5 anos que me formei na faculdade.
  • Meus amigos foram cada um pra um lado. Mesmo nos meus últimos meses em Floripa, raramente saíamos ou fazíamos festinhas. Há uns anos, era todo final de semana.
  • Vejo menos graça em festas, barzinhos, em beber. Tenho menos saco pra papo furado, pra tentar convencer os outros sobre alguma coisa.
  • Acompanho muito futebol e aos 30 o jogador começa a ficar velho, perder seu valor. Aos 34 é um idoso.
  • Já há jogadores profissionais que nasceram depois do ano 2000.
Estou me sentindo velho. Tirinha por ila fox.
O curioso da minha nova cultivada pancinha é que eu só percebi a sua existência quando botei uma camiseta daquelas que uso há anos e senti ela meio apertada. Minha barriga estava forçando levemente pra frente, sabe? Fazendo aquela curvinha. Até esse momento a coisa foi acontecendo sem que eu estivesse ciente. Até porque, se estivesse ciente provavelmente teria feito algo antes para impedir que a situação chegasse onde chegou. Queimar gordura é muito mais difícil do que prevenir o seu acúmulo com antecedência. Nem só por uma questão estética, mas porque depois que percebi a barriga ela começou a me incomodar muito.

Após o almoço eu sinto aquela protuberância que antes não existia. Pedalando minha bike eu sinto a barriga dando aquela forçada contra a minha cintura, deixando a calça mais apertada. Antes do banho me olho no espelho e vejo a pelanquinha. Se eu sentar e levantar a camiseta, consigo ver pela primeira vez não uma, que é normal até em quem é mais magro, mas duas dobrinhas na barriga. Duas dobrinhas. Pra quem foi fininho a vida inteira, a reação é "PQP".

As lições que tirei do panceps

Primeiro de tudo que preciso ficar mais atento à minha saúde e forma física, claro. Mas o principal é que tudo isso me fez reforçar ainda mais a ideia de que temos que aproveitar ao máximo cada momento. Se estou achando amedrontador o cenário com 27 anos, estarei ainda com mais medo aos 28, 29, 30, 40. Se estou me sentindo velho agora, certamente olharei para trás daqui a 10, 5 ou 2 anos e acharei novo um cidadão com 27.

Então agora é a melhor época da minha vida (e da sua também). É a única época que temos em mãos para aproveitar.

Preciso me relembrar constantemente de cuidar do meu corpo, fazer as coisas que gosto, planejar com carinho para ir conhecer lugares incríveis do mundo que quero visitar. Não dá pra deixar pra depois.

E também quero manter a cabeça aberta para aprender a lidar com esse sentimento novo, que até agora não é nada agradável. Nesse momento eu luto ferozmente contra a ideia de que já dá pra ver meu aniversário de 30 anos chegando no retrovisor.

Ficar mais velho também tem uma porrada de benefícios, claro. Mas esse artigo não é exatamente sobre o lado ruim de ficar velho, mas sim uma mera observação, quase em terceira pessoa, do sentimento de que o tempo tá passando, que a vida tá passando.

Eu estou me sentindo velho. E você, quando começou a se sentir assim?

"A Persistência da Memória" de Salvador Dalí


Se leu até aqui, deixa um comentário? A maior alegria de escrever é interagir com quem lê! :)


A coisa mais valiosa do mundo

A coisa mais valiosa do mundo
Imagem: Unsplash.

Um amigo reclamava da falta de tempo. A rotina dele era trabalho, academia, Facebook, cama. Os dias passavam rápido. Quando via, já era fim de semana e ele não tinha se planejado pra fazer nada. A semana passava voando.

Essa é a realidade de muitos nós. O trabalho como atividade principal, a que toma mais tempo. Me senti triste quando esse amigo disse, meio espantado, que "o mês já tá acabando". Como passou rápido!

A coisa mais valiosa do mundo
Imagem: Unsplash.

Mas por que o tempo passa rápido?

O tempo passa rápido quando olhamos para trás e não conseguimos diferenciar um dia do outro. Todos os dias parecem iguais. O passado é um borrão em que não há muita diferenciação do que aconteceu. E por isso o tempo passado, na nossa cabeça, diminui. Parece que foi rápido. E muito disso acontece pelos tipos de rotinas em que estamos inseridos, incluindo o trabalho.

Se você parar para pensar na última vez que viajou, provavelmente sabe dizer aonde foi, que lugares visitou. Provavelmente lembra de ao menos uma mão cheia de momentos incríveis, certo? Mas se você tentar lembrar dos últimos 30 dias na sua empresa, talvez fique mais difícil. Pode parecer que o tempo passou muito rápido - talvez você já esteja há anos fazendo a mesma coisa.

O problema é que trabalhar demais e se sujeitar a rotinas monótonas que você não gosta em troca de dinheiro pode sair muito caro. Caro porque o trabalho nada mais é do que a troca do seu tempo e habilidade/conhecimento por uma remuneração financeira. Não é questão de sair por aí se demitindo sem pensar em como pagar as contas, precisamos da grana para sobreviver. Mas o dinheiro, quando gasto, pode ser recuperado. O tempo da sua vida, não.


A coisa mais valiosa do mundo

O tempo que você tem aqui respirando na Terra é a coisa mais valiosa do mundo, pois não há nenhum jeito de recuperar. Nem todo o dinheiro do universo pode fazer você poder voltar atrás para viver a vida que não viveu. Lá na frente, a maioria das pessoas se arrepende do que deixou de fazer, das oportunidades que não agarrou ou criou. Essas mesmas pessoas lembram de momentos que passaram com pessoas que gostam, lugares incríveis que viram, coisas fantásticas que conseguiram. É isso o que mais importa, coisas que você só pode fazer agora, porque seus 26 ou 32 ou 18 anos não voltam nunca mais.

A coisa mais valiosa do mundo
Lembro de coisas incríveis que fiz. Do 1 ano e meio em que fiquei praticamente só trabalhando, nem tanto.

Emprego formal no escritório é a coisa mais normal e justamente por isso talvez não seja o caminho a ser seguido. Há várias outras formas de ganhar dinheiro hoje em dia, algumas delas propiciando que você possa viver mais fora das 4 paredes geladas da empresa e mais na praia, na neve, praticando esportes ou com amigos e família. Não quero ser hipócrita e dizer que é fácil - eu mesmo em determinado momento achei que seria mais benéfico para mim voltar para um trabalho em escritório, e voltei. A ideia é que você abra seus horizontes, procure na internet e veja que a vida não é só um leque de opções que colocam na sua frente. Há outros caminhos a serem explorados.

Seguir a manada nem sempre é a melhor opção. Numa empresa em geral você está comprometendo 1/3 do seu dia, ou mais da metade do seu tempo acordado, para gerar lucros para alguém que talvez nem saiba da sua existência. Será que vale a pena?

Talvez o melhor caminho seja buscar um novo caminho.

O tempo é a coisa mais valiosa que um ser humano pode gastar. Então o que pode valer mais a pena do que se planejar e buscar outras alternativas para que você possa aproveitar melhor esse seu tempo?

Ser o motorista da própria vida pode ficar mais fácil se você arranjar um jeito de se virar por conta própria, sem depender de ninguém e sem trabalhar mais em prol de outros do que pra você mesmo.

O dia, a semana, o mês. Boom, passou. Assim, rapidão.

Só temos que tomar cuidado pra não deixar a vida passar.


Acho que é legal fazer uma diferenciação. Às vezes a semana parece que passa devagar, principalmente quando você não aguenta mais fazer o que você faz. Digamos que seu trabalho seja entediante, então os dias pra você parece que não passam nunca, certo? Entretanto, quando chega no final de semana e você olha pra trás, aí parece que a semana foi só um vulto, que passou rapidão. Isso porque os dias foram todos parecidos, não aconteceu nada marcante. A semana inteira foi uma coisa só, um bloco de tempo. Isso me bateu muito forte principalmente no último 1 ano e meio que fiquei no Brasil, onde apesar de curtir a vida eu não fiz nada lá muito memorável. Quando olhei pra trás fiquei puto comigo mesmo: queria ter passado no máximo uns 2 meses no país antes de fazer algo que amo, viajar de novo, mas acabei ficando 18 meses. Enxergo esse período hoje quase como tempo jogado fora.

Então como dizem os manézinhos de Floripa: me diz pra mim! Sua semana passa voando? Se eu te disser que já estamos quase na metade de 2017, você pensa que já fez uma porrada de coisas legais no ano ou fica espantado que tá passando rápido? Você concorda que o tempo é a coisa mais valiosa do mundo?

O segredo é resolver os problemas na hora


Há 3 meses meu cinto arrebentou. Só tinha aquele, desde 2007 quando comprei para a minha formatura do terceirão.

Por um tempo fiquei sem cinto. Depois, peguei um lindo suspensório emprestado do meu irmão e usei por um mês e pouco. Quando tive que devolver o suspensório, logo comecei a trabalhar em uma empresa e no escritório simplesmente não posso ficar com as calças caindo toda hora, né?

Eis que:

Primeiro dia de trabalho, calças caindo.
Segundo dia, calças caindo.
Terceiro dia, calças caindo.
Quarto dia, calças caindo e uma vergonha interna de ser tão preguiçoso e procrastinador.

O episódio do cinto conta a minha vida e provavelmente parte da sua: eu simplesmente não resolvo as coisas na hora. Um problema surge e eu geralmente vou adiando ele até onde dá, como se no futuro resolver o problema fosse ficar mais fácil, ou como se ele fosse desaparecer.

  • Quando sujo a louça, deixo para lavar depois.
  • Quando troco de roupa, jogo a usada no chão ao invés de guardar ou lavar.
  • Quando recebo uma mensagem de trabalho, deixo para ler depois.
  • Quando vejo um texto interessante, abro uma nova aba no navegador e deixo para ler depois.
... e por aí vai. Talvez você tenha se identificado.

Pois bem, após o 4º dia eu não podia mais adiar. A situação já tava ficando vergonhosa. Saí do trabalho e fui direto para a Alexanderplatz, uma área aqui de Berlim com uma porrada de lojas - incluindo aquelas que vendem roupa baratinho tipo C&A.

Eu odeio comprar roupa. Odeio mesmo. Esse é um dos motivos pelo qual procrastinei tanto a compra do cinto. Mas entrei na loja. Chegando lá, nenhum cinto disponível me agradou muito e todos estavam um pouco caros. Sabe-se lá por qual motivo, eu botei na minha cabeça que queria pagar no máximo 5 euros no cinto - poderia ser o mais básico, não importava. Mas o mais barato da loja estava 9 euros, quase o dobro do que eu queria pagar. O equivalente a 30 reais num cinto simples, coisa de louco. Eu não queria comprar.

Dei as costas para a sessão de cintos e comecei a ir embora. Enquanto caminhava pensei no que aconteceu comigo a vida inteira e com certeza aconteceria de novo. Eu iria para outra loja. Na outra loja os cintos estariam na mesma faixa de preço, quase o dobro do valor que eu tinha estipulado como orçamento. Para não pagar um preço que eu não concordasse, eu sairia da outra loja. Provavelmente iria para casa, iria para o trabalho com as calças caindo por mais um dia, adiaria a compra do cinto de novo e ficaria com esse problema na cabeça para resolver.

Algo tão simples como um cinto, que vai durar por anos, me deixaria preocupado durante o dia e me faria ter que ficar cuidando para não ficar seminu no meio do escritório.

Parei e voltei.

Peguei a por** do cinto de 9 euros, passei no caixa e comprei.

Resolver os problemas na hora = tranquilidade

Enquanto pedalava para casa, com o cinto na mochila, pensei o quão bom foi eu ter tomado essa decisão. Acabei com o problema ali, na hora. Por 4 euros a mais do que eu queria pagar, deixei de me preocupar com mais um probleminha para resolver - e quem garante que esse valor que eu estipulei não é algo que simplesmente não se encontra?

Pedalando para casa também pensei na patroa. Antes de eu sair do escritório ela disse que precisava comprar comida. Pensei como teria que chegar em casa cansadão e já sair com ela para comprar comida. Obviamente não era algo que eu queria. Mas eu já tava na rua e, principalmente, tava me sentindo bem por ter mudado meu comportamento e resolvido o problema do cinto ali na hora, sem enrolação. 

Fazer as coisas na hora
Meu novo cinto (o mais barato que tinha)

Sem enrolação, botei o supermercado mais perto no meu GPS e fui direto pra lá. Comprei umas coisas para comer e pronto, problema resolvido. Cheguei em casa e pude botar uma calça de moletom daquelas bem confortáveis, deitar na cama e não me preocupar com (quase) mais nada.

Eu já vinha usando essa abordagem do "resolver agora" há um tempo, porém só para coisas menores como lavar a louça, jogar o lixo, ligar para alguém, etc. Inclusive, um dos primeiros posts aqui do blog é sobre esse assunto.

Agora usei essa abordagem para coisas um pouquinho maiores e o resultado foi incrível. Me senti bem. A ideia agora é: a) adotar isso nas tarefas pequenas com mais frequência; b) adotar nas tarefas médias ou até grandes quando for possível.

  • Lavar a louça depois de sujar.
  • Jogar o lixo assim que ver ele cheio.
  • Ler mensagens importantes de trabalho assim que chegam - e dar os devidos encaminhamentos.
  • Fazer os trabalhos da faculdade assim que surge um tempo livre, não deixar para a última hora.
  • Precisando urgentemente de uma peça de roupa, ir na loja e comprar a maldita roupa de uma vez, mesmo que talvez gaste alguns reais a mais.
O único problema da abordagem do "resolver agora" é que precisamos nos lembrar dela a todo momento. O caminho mais fácil é sempre deixar para depois, então precisamos ter a força mental de resgatar a ideia e colocá-la em prática.

Além de liberar tempo futuro na sua agenda, resolver o máximo possível o quanto antes poupa a sua cabeça de preocupações e estresse.

Como você poderia se beneficiar fazendo as coisas na hora?




Perto e longe de quem se gosta


Eu tinha acabado de voltar do boteco. Das 3 pessoas que foram comigo, uma em específico é um dos meus melhores amigos, daqueles que você conhece desde a infância. Ele morava há no máximo 10 ou 15 minutos da minha casa, mas eu tinha ficado um mês sem vê-lo.

Foi muito massa encontrar o cara. Contamos histórias, trocamos ideias e falamos aquelas besteiras que sempre rolam em papo de boteco. Encontrar um amigo no bar parece algo banal, mas é uma oportunidade muito valiosa. Quando eu estava na China, não tinha nada disso.

Longe de quem se gosta

Lá eu estava do outro lado do mundo. Vir ao Brasil? Complicado. 2 dias de viagem, umas 35~40 horas de voo e uma passagem com preço nada amigável. Principalmente pela questão financeira, era impossível ficar indo visitar amigos e parentes.

Às vezes me pegava lembrando da família, dos amigos, e batia uma saudade da porra. Eu sentia muita falta.

Longe de quem se gosta
Num parque a 17 mil quilômetros do Brasil

Com frequência cometemos o erro de não valorizar as pessoas que a gente gosta, que estão do nosso lado. Mas elas fazem falta quando somem de alguma maneira. No meu caso não sumiam. Elas estavam no Whats e no Skype, há um toque na tela de distância, mas se comunicar assim não é a mesma coisa que ver as pessoas na frente: olhar no olho, abraçar, compartilhar algum momento. Não é mesmo.

Essa saudade e vontade de estar perto das pessoas foi um dos grandes motivos que me levaram de volta ao Brasil.

Perto de quem se gosta

Voltando para o país, mataria a saudade e teria tudo aquilo que sentia falta morando longe.

Isso na teoria.

Estando no Brasil, meu amigo que morava mais longe ficava há 30 minutos de distância. Eu tinha uma moto e podia usá-la para me levar onde eu quisesse, quando eu quisesse. Mesmo assim, às vezes ficava 1 mês ou até mais sem ver algumas pessoas que eu amo.

Aconteceu com esse meu amigo, aconteceu até com o meu pai! E o pior, eu tenho um irmãozinho pequeno que eu sentia falta de ver crescer quando morava na Ásia, mas no Brasil não ia visitar frequentemente.

Perto e longe ao mesmo tempo

Isso me intriga. Mesmo quando estamos perto de quem a gente gosta, por vezes mantemos um contato tão fraco. Por quê?

A gente inventa todos os tipos de desculpa. Fulano tá ocupado, Beltrano não pode, Ciclano tem compromisso. Mas sabe qual é a verdade? Atitudes demonstram prioridade. Se você ou seus amigos não conseguem abrir um espacinho na agenda para se encontrar, é porque todas as outras coisas são mais importantes naquele momento. Lá no fundo, falta uma vontade verdadeira de ficar perto de quem se gosta.

"Ah, mas a pessoa tá ocupada, não tá em casa..." Ah é? Onde a pessoa está então? Não é só passar lá? Ela vai dormir em casa, não vai? Então passa lá à noite. 10 ou 15 minutinhos, só pra dar um abraço e manter viva aquela relação.

Com a família os laços são até mais fortes. Mesmo que existam problemas e um contato menos frequente, ainda assim temos uma ligação muito forte. Você cresceu com aquelas pessoas. Já os amigos vem chegando em vários momentos durante a vida. E a amizade é frágil.

Gosto de pensar na amizade como um brotinho, daqueles de feijão que você plantava no algodão quando era moleque, sabe? Você botava o feijão no algodão, molhava, deixava em algum lugar com sol e ia ver depois de uma semana. Se ninguém tivesse lembrado de regar, ele estava morto.

O broto morria porque é frágil, assim como a amizade. Ela precisa ser regada constantemente.

E mais: não só por um lado. Se só um lado regar, não vai funcionar. As duas pessoas precisam colaborar para que aquilo dê certo. Se o broto não for regado pelos dois lados, pode morrer ou ao menos ficar fraco, debilitado, com folhas amarelas.

Longe de quem se gosta


Garanto que você tem alguém que gosta muito, mas que não vê há 1 ou 2 meses mesmo estando perto. Talvez também tenha um amigo que era muito chegado antigamente, mas que hoje a amizade se resume a uma conversa de 2 minutos pelo Facebook a cada ano. Isso pode acontecer porque as pessoas mudam e a amizade sofre as consequências. Mas também pode ser que os esforços feitos para manter a amizade não foram suficientes.

A gente nunca sabe o dia de amanhã. Pode dar um infarto fulminante em alguém, ou outra pessoa pode ir viajar e morar longe. Então se você estiver perto de quem gosta, aproveite. Marque alguma coisa, visite, tome uma atitude para estar perto. No mínimo uma vez por mês, vai?

Quando encontrar a pessoa, capriche no abraço. Se ela te abraçar um pouquinho mais forte do que você está abraçando ela, vai sentir algo bom. É uma demonstração involuntária de que a pessoa estava com saudades.

E lembre-se sempre disso tudo. É uma lição que não serve para ser usada uma vez e jogada fora. Aproveitar quem amamos enquanto estamos perto, enquanto temos a possibilidade, é algo para a vida toda.

As melhores coisas acontecem quando estamos com outras pessoas. "É impossível ser feliz sozinho", diz a música. Impossível certamente não é, mas com companhia é muito melhor.

Vale avisar que este post também está disponível em vídeo! Foi o primeiro que gravei e o conteúdo é quase o mesmo ;) 






Sites para freelancer: por onde começar


Sites para freelancer

O trabalho como freelancer é assunto recorrente aqui no blog. Esse caminho profissional mudou a minha vida para melhor, fazendo eu trabalhar menos horas e viajar mais vezes, tudo sem comprometer a minha renda.

Trabalhar pela internet pode ser benéfico pra muita gente. Pra quem quer viajar sem deixar de ganhar dinheiro, pra quem tá infeliz no trabalho atual ou mesmo pra quem quer gerar uma grana complementar no fim do mês. Eu sempre tento passar para frente a minha experiência no assunto e criei conteúdos que espero que possam ajudar você:

O que é e por que ser freelancer? Vídeo  Texto
Guia completo: Como começar a ser freelancer - Vídeo  Texto
Como virei freelancer - Vídeo

Além de querer continuar criando conteúdo sobre trampos online, tô devendo há tempos uma indicação de sites para freelancer. Então aqui vai uma lista.

Vale lembrar que este artigo também está disponível em vídeo: 

Sites para freelancer

Eu não quis ficar listando um monte de sites que eu não conheço - já tá cheio desse tipo de artigo por aí. Por isso foquei nos poucos que tenho experiência de uso e procurei dar o máximo de detalhes sobre cada um. No final também fiz um apanhado geral sobre sites para freelancer. Realmente espero que possa ajudar você!

Como lidar com a frustração nos projetos pessoais



Horas escrevendo e editando um texto, criando imagens, postando e se esforçando para divulgar o próprio trabalho. O resultado? Poucas visualizações, às vezes nenhum comentário.

Trabalhar duro fazendo alguma coisa que ninguém vê é muito, muito frustrante. Claro que muito do trabalho que faço é feito pelo trabalho em si, por querer botar ideias pra fora ou por querer criar um conteúdo que de alguma forma possa ajudar alguém. Porém, isso quase nunca é suficiente. Escritor, pintor, bailarino, músico: quem cria precisa que do outro lado existam pessoas interessadas vendo. E não só vendo, mas mostrando suas opiniões sobre o que viram - interagindo, comentando, compartilhando. Quando isso não acontece, bate a frustração.

Se você cria qualquer coisa, deve ter passado por isso. Numa época onde muita gente tem um site, canal no YouTube ou até uma fanpage no Facebook, fica mais fácil entender a frustração que por muito tempo foi vista em outras áreas, como na cara do pintor que não consegue vender uma obra sequer, no semblante do escritor que publica um livro que ninguém lê.

Como crio vídeos para o canal e escrevo para este blog, esse tipo de frustração recai sobre mim mais vezes do que eu gostaria de admitir. Às vezes é difícil lidar com a ideia de que ninguém tá nem aí para o que você fala ou faz, ou que você não teve capacidade de chegar com o seu conteúdo até as pessoas que gostariam dele. Os quase 2 anos de blog foram na maior parte uma gangorra de emoções, com alguns trabalhos se mostrando frutíferos e outros que se mostraram um desperdício, acabando no total esquecimento.


Se eu escolher o caminho mais fácil e deixar a frustração me pegar de jeito, o doisbits estará acabado assim como tantos outros projetos internéticos que não passam do primeiro ano de vida. Por isso mesmo, a única forma de continuar a fazer o que faço é tentando saber como lidar com a frustração de forma inteligente.

Como lidar com a frustração nos projetos pessoais


Abaixo vou falar do que aprendi sobre como lidar com a frustração no blog e no canal, mas creio que muita coisa pode ser aplicada em qualquer projeto pessoal que você tenha - uma mudança de carreira, uma empresa e por aí vai.

Como lidar com o inesperado


Como lidar com o inesperado


Vi na internet uma montanha que ficava perto e podia ser subida a pé. A natureza me encanta, mas muitos destinos turísticos com belezas naturais são pagos. Esse não era, ficava perto de casa e era completamente gratuito, só chegar e subir.

O lugar se chamava Cerro de la Gloria, na cidade de Mendoza. Era uma montanha com mil metros de altura, conhecida por ter em seu topo o monumento que estampa a nota de 5 pesos argentinos. A subida parecia tranquila, então pra lá eu fui.

Cheguei na base da montanha e logo que vi fiquei empolgadaço. Tinha um pouco de medo de não encontrar o caminho direito, mas ele tava bem claro. Ali na minha frente, uma trilha bem definida e com pessoas já subindo, o que tornava o acesso ainda mais óbvio. Comecei a gravar um vídeo e minha empolgação estava estampada, eu tava felizão.

Tinha lido na internet que a subida era junto com uma pista de carros, que dava até pra pedir carona pra chegar ao topo e tal. Mas não lembrei de nada disso quando comecei a subir a trilha de terra, cheia de pedregulhos. Aquilo com certeza não era uma estrada para carros. Hmmm, estranho. Mas não pensei muito na hora. Continuei subindo.

Tava empolgado, minha vontade era sair correndo morro acima. A cada 10 passos a vista ficava um pouco mais bonita. Mesmo na metade do caminho, já dava pra ver uma boa parte da cidade de cima. "Que puta lugar lindo! Bem que a galera avaliou essa como uma das principais atrações da cidade no TripAdvisor", pensei comigo. Quando só então olhei pra direita e percebi: eu tinha subido a montanha errada.

A montanha "certa" era logo do lado, mas para subi-la eu teria que descer todo o morro em que eu estava primeiro, para só depois subir o outro. Tinha errado o caminho. Subi até o topo da montanha errada, aproveitei um pouco e lá fui eu subir a montanha certa.

"Cerro de la Gloria, quero só ver se a vista é tão gloriosa assim".

Já tinha subido uma morreba e me deparado com uma vista linda, esse tal de Cerro teria que ter algo ainda melhor para me impressionar. Mas não tinha.

Subindo lá a vista era toda bloqueada por árvores. Árvores! Porra, eu amo árvores e a natureza, mas digamos que ter uma vista sensacional coberta por uma porrada de galhos é no mínimo frustrante. Tá, tinham lugares em que a vista ficava mais limpa, menos encoberta, mas ainda assim.... não era tão bonita quanto a da montanha "errada".

O errado que deu certo. A montanha que sequer era um lugar turístico - algumas pessoas usavam como pista de mountain bike - acabou sendo muito melhor que o tal Cerro de la Gloria, tão aclamado na internet.

O acaso me levou a ter uma experiência incrível que eu não teria se tivesse seguido tudo bem certinho, se tivesse olhado bem o mapa e ido direto no lugar correto.

Casei por acaso

Na faculdade de Administração não fiz muitos amigos. Ficava lá no canto da sala, geralmente sentava sempre com a mesma colega e não fazia muita força pra me enturmar. Quando faltei uma aula e o professor passou um trabalho em grupo, fiquei sem equipe. A assistente do professor me colocou aleatoriamente em um grupo formado só por meninas que eu praticamente nunca tinha conversado. E pior, um grupo daqueles que se reúne de verdade pra fazer um trabalho, não aquele que faz tudo nas coxas faltando 5 dias para a entrega.

E lá fui eu. E lá comecei a gostar de uma menina do grupo. E 6 anos depois, ela é minha esposa.

O completo acaso literalmente transformou a minha vida, o que não teria acontecido se eu tivesse pedido para ficar num grupo onde conhecia os outros, ou se tivesse ido à aula naquele dia.

Como lidar com o inesperado


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