O que aprendi escrevendo textos

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Este é o 50º texto do blog.

50 é um número grande, ter escrito tantos artigos assim é motivo de orgulho para mim. Não sou escritor. Sou um maluco qualquer que começou a escrever e gostou. Nunca tive uma redação que se destacasse e nunca pensei que acabaria usando minha criatividade para escrever textos, mas creio que tenho melhorado bastante ao longo desses 50 textos.

Escrever textos que eu considere relevantes e completos é difícil. Me toma muitas horas e, mais do que isso, exige um esforço mental grande. Pensar em assuntos bacanas muitas vezes é complicado. Procuro não escrever sobre qualquer coisa, por isso a definição do tema de um texto por vezes sai só na terça, dia de lançar mais um artigo. Uma vez vi um cara fazendo uma indagação para os que planejam começar um canal no YouTube: "O que você quer fazer se sustenta no longo prazo?". Para mim, essa é a maior dificuldade. Continuar trazendo, toda semana, temas que sejam compatíveis com a pegada do blog e ao mesmo tempo que sejam relevantes e possam fazer diferença na vida de quem lê.

Mas como tudo na vida, dificuldades são portas para o aprendizado. Então, sem mais delongas, deixa eu contar um pouco do que eu aprendi escrevendo.


1. Cada vez menos gente lê

Nossos intervalos de atenção estão ficando menores. Acostumados a usar diversas mídias sociais, sites e aparelhos eletrônicos diferentes diariamente, temos perdido nossa capacidade de concentração e foco. Sempre achei ótimo ter uma incrível habilidade de multitarefa, de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Mas essa prática de separar pequenos períodos de atenção para cada coisa e trocar de tarefa constantemente vicia o cérebro. Hoje, tenho mais dificuldade para me concentrar por longos períodos de tempo sem ficar agoniado. No meio de uma tarefa, quero dar uma olhada no twitter ou pelo menos sair um pouco da frente do PC. Muita gente sofre dos mesmos sintomas, o que afeta diretamente a leitura.

Para ler de verdade, entendendo e internalizando o que está escrito, é necessário concentração e períodos de atenção mais longos. Um texto aqui do site, por exemplo, geralmente requer uns 10 minutos de atenção ininterrupta do leitor, o que pode ser difícil para algumas pessoas. Muita gente faz aqui o mesmo que eu também faço em outros sites e artigos: leitura dinâmica. Passar os olhos e parar para ler um ou outro tópico que chame mais a atenção.

Mas não quero dar uma de super nostálgico, saudosista dos tempos onde se lia mais. A sociedade está caminhando num ritmo mais rápido e nossas práticas cotidianas acompanham estas mudanças. Creio que ler com frequência é muito benéfico, mas não é a única forma de aprender coisas novas e se autodesenvolver.

Além disso, quem gosta de ler gosta de verdade. Se você gosta, sabe do que estou falando. Tem gente viciada em livros, que devora vários em pouco tempo, que tem uma biblioteca de tamanho considerável em casa. Entediante para alguns, ler é uma paixão fervorosa para outros. E, ao contrário de muitos vícios, a leitura quase que compulsiva ajuda a trabalhar o cérebro. Espero que, com os textos que trago para cá, eu consiga agradar os que já leem com frequência e capturar a atenção daqueles que entendem a importância da leitura, mas que se perdem no dia a dia e acabam esquecendo de ler mais.


2. A internet é poderosa

Um adolescente ou um zé ninguém qualquer, trancado no quarto, cria conteúdo e faz crescer alguma coisa online, ganhando milhares de fãs, inscritos, seguidores ou seja o que for. A internet é democrática pra caralho e tem espaço para todos que fazem um trabalho legal.

Não é fácil ter seu trabalho reconhecido e seu conteúdo admirado. Além da qualidade do conteúdo criado, divulgação e até o próprio carisma de quem cria são essenciais para a saída do anônimato. Quem consegue fazer alguma coisa internética dar certo geralmente tem muito mérito, porque criar conteúdo de qualidade com frequência é muito trabalhoso.

Se meu conteúdo é de qualidade eu deixo para você decidir, mas blogar me mostrou que até um completo desconhecido como eu pode impactar a vida de outras pessoas simplesmente digitando algumas palavras. Mesmo com o doisbits.com ainda sendo bem pequeno, já recebi diversos comentários ou mensagens de gente dizendo que decidiu mudar alguma coisa depois de ler um artigo meu, ou que de alguma forma se identificou com uma história da minha vida. Receber um feedback assim é a alegria do blogueiro.

Antes do blog, nunca pensei que pudesse impactar a vida de ninguém além dos que vivem ao meu redor, mas hoje já percebo que a internet torna tudo isso possível. Você, aí da sala ou do quarto, pode fazer pessoas desconhecidas, de lugares aleatórios, rirem ou se sentirem inspiradas. Poder impactar positivamente a vida de outros não tem preço.


3. Não esperar algo em troca

Expectativas formam um buraco negro de decepções. Se você faz alguma coisa esperando algo em troca, muitas vezes sairá de cabeça baixa.

Mais no começo do site eu tinha a mania de ficar verificando as estatísticas de acesso e se tinha recebido novos comentários a todo o momento. Poxa, o mais legal é saber que pessoas consomem o seu conteúdo e que gostam dele. Mas essa expectativa, principalmente em um site pequeno, às vezes vira frustração. Frustração pelo número de acessos ser menor do que eu imaginava, ou pelos comentários serem escassos. Acontece e faz parte.

Pensei sobre isso e percebi que minha expectativa era egoísta. Eu criava conteúdo e esperarava que, por ter criado alguma coisa, deveria receber uma espécie de retribuição. É claro que eu gosto muito de receber algo de volta e tento retribuir quando gosto do conteúdo de terceiros, mas fazer uma coisa esperando algo em troca não é o ideal. É como fazer um favor para outra pessoa não com a motivação de ajudá-la, mas sim de poder cobrar um favor de volta no futuro. Simplesmente não é certo.

Hoje, procuro jogar as palavras ao vento. Escrevo, crio, publico e deixo acontecer. Divulgo e me preocupo com estatísticas e qualidade do texto, sem dúvida, mas deixo as pessoas decidirem se querem acessar ou não, se querem comentar ou não, de forma mais livre. Tento não esperar NADA em troca. Assim, elimino as frustrações e fico mais contente quando de fato um texto faz sucesso ou gera comentários positivos. Uma mudança de mentalidade simples, mas que fez bem pra mim no blog e acredito que também é benéfica na vida.


4. Escrever é uma arte

A escrita está em um degrau acima da fala. Aprendemos a falar desde pequenos e podemos aprender idiomas novos morando fora do país, mas a escrita só vem depois. É possível falar sem saber escrever, mas o contrário não é verdade - com poucas excessões.

Escrever envolve conhecimento. Seja de regras rígidas, como a gramática, seja de aspectos mais subjetivos que você só aprende com a prática. Escrever é passar uma mensagem fixa, gravada em pedra, para que qualquer um, a qualquer momento, possa interpretar. Escrever sem saber quem vai ler é uma arte. Mexe-se com a mente e instiga-se a imaginação de quem está lendo. O leitor com frequência cria empatia com o escritor, ainda que nunca o tenha visto.

Organização de ideias, clareza, estrutura e estilo são só algumas das coisas que você vai amadurecendo quando passa a escrever textos com frequência. Escrever é uma arte cujo objetivo é fazer com que as pessoas entendam a mensagem, mas com a essência do escritor viva e retratada em harmonia com as palavras.


5. Informalidade com moderação

A informalidade é bacana e eu gosto muito. Sempre gostei de gírias e palavrões. Por isso, sempre utilizei estes recursos nos meus textos.

Revisando alguns dos artigos mais antigos, porém, me surpreendi. Comparando com a forma como escrevo hoje, estes posts de mais idade estavam sobrecarregados com informalidade.

Tenho orgulho de ter ouvido que ler um texto meu parece estar presente em uma conversa de bar, devido ao tom e à informalidade. Mas se o próprio escritor fica incomodado com a informalidade em excesso, é porque aquele estilo, que em uma época lhe servia bem, hoje já não serve mais.

Hoje, tento maneirar mais nos palavrões e usá-los para dar ênfase, não para parecer mal educado. Aboli contrações criadas por mim mesmo, como "umonte", por exemplo, ainda que julgue serem melhores do que o padrão oferecido pela língua portuguesa. Várias pessoas entraram em contato comigo falando algo tipo: "Pedro, não sei se é erro mas achei um 'umonte' no seu texto X". É importante estar confortável e gostar do seu próprio texto, moldando-o com o seu próprio estilo, mas creio que o estilo não pode se impor à capacidade do leitor de entender o texto com clareza.

Não quero perder meu estilo. Jamais. Planejo manter as gírias e os palavrões como forma de mimetizar um pouco o jeito com o qual me comunico verbalmente. Mas o excesso desses artifícios torna o texto pouco profissional aos olhos de muitos, parece desleixe. Parece que não foi escrito com cuidado.

Por isso, a diferença entre esse texto aqui e os primeiros do blog já é gritante.


6. Menos é mais

Uma das minhas maiores dificuldades, tanto escrevendo quanto gravando vídeos, é manter o conteúdo conciso. Tendo a falar ou escrever demais, frequentemente fugindo do assunto ou dando detalhes que são irrelevantes para a discussão.

Notando esse comportamento, achei melhor começar a cortar tudo que é desnecessário. Pelo tamanho dos meus textos e vídeos, fica claro que ainda não cheguei lá, mas penso ser este o caminho certo a se seguir.



7. SEO É IMPORTANTE

Usar SEO é otimizar os textos, geralmente usando palavras-chave, para que o site apareça mais nos mecanismos de busca. Há um tempo atrás, publiquei este tweet:



Sentia um quase-orgulho de não me preocupar com SEO. Tenho um pouco de nojo da quantidade de conteúdo na internet que troca a qualidade por quantidade de acessos. Conteúdos rasos, mas cheios de palavras-chave, que fazem você acessar mas sair insatisfeito. Listas e mais listas de "10 melhores X para você Y" que são compilações rasas, com 2 ou 3 linhas descrevendo cada item, buscando gerar acessos mas sem de fato acrescentar algo ao leitor.

Por isso, tinha orgulho de bradar a bandeira do "foda-se SEO". Mas eu estava errado. Profundamente enganado.

Imagina que você tem uma banquinha de limonada. Você acha que seria melhor colocá-la no quintal de trás da sua casa e distribuir panfletos dizendo para as pessoas irem lá, ou colocar a banquinha na rua principal e aproveitar o fluxo natural de gente passando por ali? Sem dúvida que as limonadas da rua vão vender bem mais que as do quintal.

A internet é um mar sem fim de conteúdo brigando pela cada vez mais disputada atenção dos internautas. O Google é o todo-poderoso deste universo internético e decide, apoiado em seus ajudantes algorítmicos, quem prospera e quem não prospera.

Depois que aprendi mais sobre SEO, comecei a tentar otimizar alguns dos meus textos para serem mais buscáveis. Não sou nenhum ninja na arte das palavras-chave, mas tento inserí-las de forma adequada nos meus textos, sem comprometimento da qualidade, para ter uma maior relevância online.

Hoje, mesmo com o spam que faço diariamente no twitter de todos vocês, o Google já é a maior fonte de acessos ao site. Tenho muito o que melhorar nesse quesito, mas sem dúvida ter o gigante de buscas como aliado é importante para fazer um trabalho online ser reconhecido.

É um grande avanço em relação à isso:


8. Trocar as sentenças de lugar

Tornar uma frase mais simples de entender é fácil, basta trocar a ordem das sentenças.
Basta trocar a ordem das sentenças para tornar uma frase mais fácil de ser entendida.

Qual das duas frases você prefere? Tanto nesse exemplo como em diversos outros casos que aparecem enquanto você está escrevendo, trocar a ordem das sentenças pode deixar a mensagem muito mais clara. É uma dica que parece simples demais, mas que uso absolutamente o tempo todo.

Todos as outras coisas que aprendi foram questões envolvendo a escrita de forma subjetiva, mas esta aqui é uma dica prática para se escrever melhor. Há diversas destas dicas que eu aprendi e tantas outras que ainda podem ser aprendidas. Escrever textos envolve técnica, é uma habilidade a ser sempre aprimorada. Deixo essa dica mais como um prenúncio do que pode pintar no blog mais pra frente: de repente um post só falando da forma como escrevo e das técnicas que uso. Seria interessante?


Obrigado, escrita

Fazer algo com frequência, seja escrever textos, cozinhar ou lutar, leva à melhoria. O aprimoramento vem naturalmente com a prática. Fico feliz do blog ter me ensinado tanto e continuo sedento para aprender mais.

Agora me conta você: o que aprendeu com algo que faz sempre?










Se chegou até aqui, provavelmente você gosta de ler e tem interesse pela escrita. Então faça a alegria deste blogueiro e deixe um comentário. Custa só alguns segundos para você e faz toda a diferença para mim! ;)


2 comentários:

  1. Curto muito os seus textos e suas dicas.
    Através deles comecei a usar o Habitica (o que deu muito certo pra mim) e também estou me acostumando a dormir menos hehe

    Sempre aguardo ansiosamente pelo próximo post.
    Parabéns pelo trabalho que vem fazendo!
    E continue assim, com equilíbrio de informalidade e profissionalismo que nos prende ao texto.

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    Respostas
    1. Pô Leonildo, muito obrigado mesmo pelo seu comentário. Me motiva muito a continuar escrevendo! Obrigado pela força!

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