Regularidade na criação de conteúdo

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Buscar criar o equivalente textual de uma apresentação de trabalho na frente da classe - arrumadinho, completo - pode prejudicar quem cria conteúdo

Eu fingindo que tô fazendo alguma coisa

Entrei no canal de uma pessoa e gostei. Naveguei um pouco pelas playlists e assisti alguns vídeos mais recentes. Depois me inscrevi e fiquei esperando que lançasse vídeos novos.

O criador tinha centenas de vídeos publicados, mas eu não senti vontade de ficar assistindo os vídeos antigos, ainda que se ele lançasse um vídeo novo provavelmente eu assistiria no mesmo dia. Por que passei a esperar conteúdo novo, mas não voltei todos os dias para assistir vídeos mais antigos?

As pessoas não querem uma biblioteca, querem o jornal do dia entregue na porta.

Consistência é confiança. Quem consome o conteúdo sabe que aquele criador trará, com regularidade, conteúdo que é relevante para si. Eu confio naquele outro ser humano para me entreter ou me informar. Imagina se um portal gigante como o G1 passasse a cobrir notícias só de vez em quando. Provavelmente perderia uma imensa parte da sua popularidade. As pessoas entram em massa no G1 (entre outros fatores) porque confiam que darão de cara com as últimas e mais importantes notícias.

Pergunte para qualquer blogueiro ou youtuber de sucesso e certamente indicarão a regularidade de postagens como algo essencial. Tem gente que publica 4 ou 5 textos por semana, tem gente que solta incríveis 3 ou 4 vídeos por dia. E isso é justamente o meu ponto fraco como alguém que escreve e grava.

No começo eu prometia textos toda terça-feira - algo que cumpri quase à risca por mais de um ano. Depois acabei pedindo desculpas e abandonando essa máxima, porque não estava tendo tempo nem criatividade para elaborar um artigo por semana. Na época achei que forçando a postagem uma vez por semana, estaria comprometendo a qualidade para garantir quantidade.

Preferi não tomar esse rumo, mas isso sem dúvida alguma comprometeu a frequência de postagens. Desde que parei com os posts toda terça, em 18 de maio, publiquei 12 artigos. Isso dá quase 1 a cada 3 semanas. Num mundo de sonhos eu gostaria de publicar 3 a cada semana.

Em geral não gosto de me vender. Apesar de já ter feito algumas coisas assim, não vou criar posts que não acredito só pra encher linguiça. Estou sempre falando de viagens e freelas aqui e no canal, mas nem por isso vou apelar para posts do estilo "10 lugares para conhecer...", "15 coisas sobre lugar X" ou "Método fácil de ganhar dinheiro...". Não é pra mim. Isso limita bastante a minha criação de conteúdo porque só gosto de postar coisas em que acredito e que são verdadeiras. Também não sou muito fã de entretenimento vazio e busco falar coisas que possam ajudar outras pessoas de alguma forma. Não é querer pagar de bonzinho, mas tenho bloqueio em fazer o que não concordo ou acredito.

Também não gosto de escrever um post pequeno de cinco parágrafos, contando uma reflexão simples. Até hoje sempre quis escrever artigos bem completos, com histórias e informações relevantes. Se concluo que trabalhar pela internet tem um grande lado ruim, não venho aqui fazer um comentário simples sobre esse lado ruim. Não. Quero parar, pensar e pesquisar os principais prós e contras de trabalhar pela internet, para abordar o assunto de forma mais ampla. Quero estilizar o post todo com títulos e subtítulos e negritos e citações. Quero adicionar imagens e fico trezentas horas procurando ou editando uma que ache legal. Isso torna qualquer texto muito trabalhoso.

Eu adoraria criar uma agenda bem definida. Toda terça um texto novo, quinta um vídeo sobre freelas e sábado um sobre viagens. Algo assim seria fantástico, mas por enquanto não tive a organização e a criatividade para seguir uma programação dessas.

Andei lendo posts simples e mais intimistas, que não têm qualquer pretensão de passar grandes mensagens, e gostei. Vou experimentar fazer isso de vez em quando e ver no que dá. Ver se você gosta e se eu gosto.

Quero fazer mais posts como esse aqui, escrevendo rapidinho sobre alguma coisa que pensei enquanto estava lavando louça. Se for sem subtítulos, sem imagens... que seja.

O que você acha?


4 comentários:

  1. Eu acho uma ótima ideia. Sobre essa questão de revisitar coisas, eu gosto de fazer isso, mas tem muita plataforma que não ajuda. Eu, sempre que conheço um canal novo, vou lá na aba de vídeos e marco para filtrar dos mais populares. Eu sempre quero ver algo que foi investido um tempo ali.
    Já com blogs, que estou começando a acompanhar diariamente, eu tenho feito o inverso, eu entro, boto ele no feedly ou no email e fico esperando um post novo. Sei lá qual é a lógica que sigo, acho que o recurso do texto dura menos do que o vídeo, parece.
    Um cara que eu adoro ler os textos é o Izzy Nobre só que ele faz exatamente o inverso, vídeos fúteis com pouco conteúdo e blog com conteúdos grandes e complexos. Mas bem, não é exatamente uma regra que eu sigo, se o conteúdo for bom, não importa como ele chegará, eu vou acabar consumindo.

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    1. Parando pra ler o que você disse, tendo a concordar com isso de que o vídeo de alguma forma parece mais atemporal, digamos assim. Tentei procurar um motivo e não encontrei, mas me parece que de fato gasto mais tempo vendo vídeos antigos do que lendo textos antigos.
      A questão dos textos complexos é que, pelo menos pra mim, demora muito mais do que fazer um vídeo, mesmo que ambos tenham o mesmo conteúdo. No vídeo é difícil você gravar milhares de vezes a mesma coisa, já no texto faço infinitas revisões, sempre podendo melhorar alguma coisa aqui e ali, adicionar informações, etc.
      Agradeço pelos insights, acho que vou continuar fazendo uns artigos assim mais simples e ver no que dá. Sem experimentar é difícil de descobrir se vale a pena.

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  2. Entendo. E acho que, no fim das contas, consistência é a parte fácil. O difícil mesmo é a sustentabilidade, que é por quanto tempo você consegue manter a consistência. Porque no começo é um mar de rosas, você tá cheio da força de vontade e com 1001 ideias pra escrever.

    Quando eu comecei meu blog, estava achando incrível. Mas depois de um tempo aquilo virou uma pressão negativa. Como se eu fosse obrigado a postar, não por querer compartilhar minhas sacadas, mas sim pra cumprir agenda. E rapaz, isso detona a sua visão sobre o seu projeto. Foi aí que eu me dei conta de que eu tinha começado com outros propósitos, e agora ele tava médio, comum. Pra resolver o problema eu então resignifiquei a percepção dele. E funcionou melhor do que qualquer outra coisa.

    Quando eu volto a prestar atenção nas coisas que eu pensava no início de tudo, aquele estado emocional e criativo me volta, a essência do projeto retorna, e você simplesmente volta a perceber em você mesmo as tantas ideias que você queria passar pra audiência pra ajudar ela de alguma forma. E quando você volta a ter fé na essência da sua ideia de quando começou, você fica imparável.

    E aí tudo se resume àquela cena do incrível filme "V de Vingança", quando o V continua vivo e avançando, apesar de ser metralhado:
    - Por que você não morre?! Por que não morre?!
    - Por trás dessa máscara não há só carne, por trás dessa máscara há uma ideia. E ideias são à prova de balas.

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    1. Bacana, Richard! Obrigado por compartilhar!

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