O segredo é resolver os problemas na hora

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Há 3 meses meu cinto arrebentou. Só tinha aquele, desde 2007 quando comprei para a minha formatura do terceirão.

Por um tempo fiquei sem cinto. Depois, peguei um lindo suspensório emprestado do meu irmão e usei por um mês e pouco. Quando tive que devolver o suspensório, logo comecei a trabalhar em uma empresa e no escritório simplesmente não posso ficar com as calças caindo toda hora, né?

Eis que:

Primeiro dia de trabalho, calças caindo.
Segundo dia, calças caindo.
Terceiro dia, calças caindo.
Quarto dia, calças caindo e uma vergonha interna de ser tão preguiçoso e procrastinador.

O episódio do cinto conta a minha vida e provavelmente parte da sua: eu simplesmente não resolvo as coisas na hora. Um problema surge e eu geralmente vou adiando ele até onde dá, como se no futuro resolver o problema fosse ficar mais fácil, ou como se ele fosse desaparecer.

  • Quando sujo a louça, deixo para lavar depois.
  • Quando troco de roupa, jogo a usada no chão ao invés de guardar ou lavar.
  • Quando recebo uma mensagem de trabalho, deixo para ler depois.
  • Quando vejo um texto interessante, abro uma nova aba no navegador e deixo para ler depois.
... e por aí vai. Talvez você tenha se identificado.

Pois bem, após o 4º dia eu não podia mais adiar. A situação já tava ficando vergonhosa. Saí do trabalho e fui direto para a Alexanderplatz, uma área aqui de Berlim com uma porrada de lojas - incluindo aquelas que vendem roupa baratinho tipo C&A.

Eu odeio comprar roupa. Odeio mesmo. Esse é um dos motivos pelo qual procrastinei tanto a compra do cinto. Mas entrei na loja. Chegando lá, nenhum cinto disponível me agradou muito e todos estavam um pouco caros. Sabe-se lá por qual motivo, eu botei na minha cabeça que queria pagar no máximo 5 euros no cinto - poderia ser o mais básico, não importava. Mas o mais barato da loja estava 9 euros, quase o dobro do que eu queria pagar. O equivalente a 30 reais num cinto simples, coisa de louco. Eu não queria comprar.

Dei as costas para a sessão de cintos e comecei a ir embora. Enquanto caminhava pensei no que aconteceu comigo a vida inteira e com certeza aconteceria de novo. Eu iria para outra loja. Na outra loja os cintos estariam na mesma faixa de preço, quase o dobro do valor que eu tinha estipulado como orçamento. Para não pagar um preço que eu não concordasse, eu sairia da outra loja. Provavelmente iria para casa, iria para o trabalho com as calças caindo por mais um dia, adiaria a compra do cinto de novo e ficaria com esse problema na cabeça para resolver.

Algo tão simples como um cinto, que vai durar por anos, me deixaria preocupado durante o dia e me faria ter que ficar cuidando para não ficar seminu no meio do escritório.

Parei e voltei.

Peguei a por** do cinto de 9 euros, passei no caixa e comprei.

Resolver os problemas na hora = tranquilidade

Enquanto pedalava para casa, com o cinto na mochila, pensei o quão bom foi eu ter tomado essa decisão. Acabei com o problema ali, na hora. Por 4 euros a mais do que eu queria pagar, deixei de me preocupar com mais um probleminha para resolver - e quem garante que esse valor que eu estipulei não é algo que simplesmente não se encontra?

Pedalando para casa também pensei na patroa. Antes de eu sair do escritório ela disse que precisava comprar comida. Pensei como teria que chegar em casa cansadão e já sair com ela para comprar comida. Obviamente não era algo que eu queria. Mas eu já tava na rua e, principalmente, tava me sentindo bem por ter mudado meu comportamento e resolvido o problema do cinto ali na hora, sem enrolação. 

Fazer as coisas na hora
Meu novo cinto (o mais barato que tinha)

Sem enrolação, botei o supermercado mais perto no meu GPS e fui direto pra lá. Comprei umas coisas para comer e pronto, problema resolvido. Cheguei em casa e pude botar uma calça de moletom daquelas bem confortáveis, deitar na cama e não me preocupar com (quase) mais nada.

Eu já vinha usando essa abordagem do "resolver agora" há um tempo, porém só para coisas menores como lavar a louça, jogar o lixo, ligar para alguém, etc. Inclusive, um dos primeiros posts aqui do blog é sobre esse assunto.

Agora usei essa abordagem para coisas um pouquinho maiores e o resultado foi incrível. Me senti bem. A ideia agora é: a) adotar isso nas tarefas pequenas com mais frequência; b) adotar nas tarefas médias ou até grandes quando for possível.

  • Lavar a louça depois de sujar.
  • Jogar o lixo assim que ver ele cheio.
  • Ler mensagens importantes de trabalho assim que chegam - e dar os devidos encaminhamentos.
  • Fazer os trabalhos da faculdade assim que surge um tempo livre, não deixar para a última hora.
  • Precisando urgentemente de uma peça de roupa, ir na loja e comprar a maldita roupa de uma vez, mesmo que talvez gaste alguns reais a mais.
O único problema da abordagem do "resolver agora" é que precisamos nos lembrar dela a todo momento. O caminho mais fácil é sempre deixar para depois, então precisamos ter a força mental de resgatar a ideia e colocá-la em prática.

Além de liberar tempo futuro na sua agenda, resolver o máximo possível o quanto antes poupa a sua cabeça de preocupações e estresse.

Como você poderia se beneficiar fazendo as coisas na hora?




4 comentários:

  1. Boa tarde Pedro !

    Também aprendi a resolver os problemas o mais rápido possível, depois de bater cabeça várias vezes.
    Eu era bem parecido com você também, não sobre o cinto e em casa nas tarefas domésticas, mas na demora de responder e-mails, no trabalho, faculdade etc..
    Um gerente de uma firma que trabalhei me deu um sermão uma vez, ai a ficha caiu. E um dia, estava esperando o trem, e perto de mim uma moça estava lendo um livro. Por curiosidade vi o nome do livro, chamava Prolemas, oba ! do Roberto Shinyashiki. Uns dias depois comprei o livro, custou uns R$20,00. Muito legal, é um livre simples e com uma linguagem fácil de entender.
    Já li duas vezes, agora passei pra outra pessoa. Ele dá vários conselhos legais para aprendermos a resolver os problemas. Se ainda não leu, eu recomendo.
    Legal o post, é tomando porrada que se aprende.

    Abrçs

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    1. Oi Iuna! Já tinha ouvido falar desse livro, o título é bem famoso e de cara passa uma mensagem que considero muito positiva, de transformar adversidades em oportunidades. Acho que vou dar uma lida. Obrigado por contar tua história e comentar aqui!

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  2. Pior que é viu ... eu sei que devo fazer na hora, mas vira e mexe tenho q me policiar pra não começar a "me enganar" de novo ... eu sou muito sabotadora em alguns aspectos hehehe

    Mas concordo.

    Eu morro de preguiça de comprar roupas tbm ... tenho que estar muito inspirada ... Eu uso jeans 99% das vezes que saio de caso (isso qdo nao saio de pijama mesmo, foda-se). Uso pra trabalhar, sair tudo ... mas ODEIOOOOOOOOOO comprar jeans .... então geralmente espero estar sem a merda de uma calça pra usar, até ir lá e comprar... Então me conhecendo, quando vou, mesmo que elas estejam mais caras do que esperava pagar ... se minha condição financeira permitir eu compro mesmo assim, pq sei que até eu ir de novo será um parto ...

    Quando vou lavar a louça ou lavo na hora ou espero não ter um garfo de sobremesa pra usar (começo a comer de colher... esquenta comida em potinho ... hehehehe)

    Abraço

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    1. hahhahaa obrigado por contar seus casos, Bia!

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