Como ter equilíbrio na vida

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Um amigo tava discutindo comigo sobre as mudanças que haviam ocorrido na vida dele. Sempre foi mal de grana e bem da cabeça, mas nos últimos tempos a situação tinha mudado. Passou a ficar bem financeiramente mas não tava com a cabeça boa. Junto com uma guinada na bufunfa, passou a ter um par de pés pra esquentar os dele durante a noite e tava feliz no amor.

Grana, cabeça, amor. Muitas vezes avaliamos como estamos no momento considerando nossa vida sob um único espectro: "tô bem", "não tô legal". Mas a verdade é que nossa situação em cada momento é dada pela composição das várias esferas que formam a nossa vida.

Além de grana, cabeça e amor, outras tantas áreas da vida se juntam para determinar nosso grau geral de felicidade: saúde física, sossego e estresse, família, desafios e ambições, vida social, desenvolvimento pessoal, crenças/ideais, lazer e por aí vai.

Como ter equilíbrio na vida?

O ideal para mim, e acredito que pra maioria das pessoas, é conseguir equilibrar todos esses aspectos e mantê-los em um nível alto, maximizando a felicidade. Mas a realidade que enfrentamos é bem diferente e bem mais bagunçada.

Como ter equilíbrio na vida?
A sua vida deve ser muito mais parecida com o gráfico da direita

Acontece que essa falta de equilíbrio na vida nos impacta de forma direta. Estamos sempre tomando decisões que buscam equilibrar estes diferentes aspectos. Pegando aquele meu amigo como exemplo: ele trocou uma cabeça boa por um bolso mais recheado. Eu fiz o caminho contrário: me demiti e acabei deixando de ganhar mais dinheiro pra poder ficar com a cabeça mais sossegada.

Como ter equilíbrio na vida?
Eu e meu amigo tomamos caminhos inversos recentemente

Se você acompanha o blog há algum tempo, lembra que fui pra China querendo experiências diferentes e morei lá por quase 2 anos. Quando as coisas já não estavam tão boas, achei melhor voltar pra pátria amada. As minhas decisões de ir pra China e de voltar a morar no Brasil, ainda que diferentes em motivos, no fundo são iguais: a busca por solucionar um problema que chegou a um nível incômodo. Fazendo uma comparação esdrúxula, nossa vida é igual jogar The Sims: seu personagem tá com fome, com vontade de ir no banheiro, cansado e precisa ir trabalhar. O que você faz?

Como ter equilíbrio na vida?
Cada escolha, uma renúncia

Muito se fala do equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, mas no fundo a própria vida pessoal tem diversas sub-divisões que também exigem equilíbrio.

Como ter equilíbrio na vida?

Não dá.

Pelo menos na visão de alguns. O filósofo Alain de Botton, na The School of Life, faz essa afirmação comparando a gente com máquinas. Ele diz que um carro top de linha, daqueles que vai de 0 a 100 em 3 segundos, só é tão bom e eficiente porque foi projetado com apenas um objetivo em mente, que é ser rápido. Usando a mesma lógica, se tentássemos inventar um robô que sobe escadas ao mesmo tempo em que cozinha, conseguiríamos um com eficiência muito menor do que a combinação de 2 robôs separados, sendo um só cozinheiro e o outro só escalador de escadas. Quanto mais limitado (focado) é o objetivo, maior a eficiência.

As empresas sabem disso muito bem e hoje buscam terceirizar o que não fazem tão bem para focar naquilo que são melhores. Mas o nosso cérebro não é projetado pra fazer apenas uma coisa. Na verdade ele é um baita de um generalista e escolhe variedade e diversidade ao invés de um foco único. É por isso que o Alain defende que o equilíbrio na vida, mais especificamente entre o trabalho e todo o resto, é uma ilusão.

O argumento dele é interessante, mas acredito que o cara se ateve muito à definição do termo e a um ideal de balanço PERFEITO entre trabalho e vida pessoal. E isso realmente não existe.

O que proponho é uma adequação lenta e gradual das várias áreas da nossa vida na busca de um equilíbrio não perfeito, mas decente.

A ideia é tentar analisar a própria vida não sob uma ótica única, mas sob os diversos aspectos que a compõem. Enxergar atrás da cortina feita de "tudo tá uma merda" e entender o que realmente tá uma merda e o que tá bom. E pensar como melhorar o que tá ruim ao invés de só reclamar.

É claro que essa não é uma fórmula garantida de sucesso. Fazer estes ajustes é difícil e provavelmente você vai falhar muito, assim como eu e o Rui falhamos.

No fundo, a vida é tão complexa quanto a economia: arrumando uma coisa, você estraga outra.

Talvez você ache uma dona ou dono pro seu coração que te faça bem e traga amor pra sua vida, mas seja controladora ou controlador, não deixe você sair com os amigos e acabe arruinando a sua vida social - quantos casamentos já não vimos assim?!

Como ter equilíbrio na vida?

Um outro exemplo: se você tiver como maiores lazeres a festança e a bebedeira, então um aumento nos seus momentos de lazer pode vir acompanhado de problemas de saúde e muito dinheiro gasto.

Se você chegou até aqui no texto, não tá de brincadeira. Se leu até aqui é porque busca se inspirar minimamente a equilibrar melhor a vida. E se for esse o caso, o lance é bater um papo olho no olho com com o seu novo amor sobre sua vida social. Se isso criar um atrito, de repente vale a pena botar numa balança o lado bom e o ruim que essa pessoa traz pra sua vida. Lembrando que dar um pé na bunda dessa controladora ou controlador de vidas alheias é sempre uma opção! E que tal não abandonar a festança, mas cortar pela metade e usar o tempo e dinheiro restantes pra praticar um esporte ou aprender algo novo?

Lembre-se: quando alguma área da sua vida tá bem mal, lá no fundão do poço mesmo, o estresse e a insatisfação acabam atingindo outras áreas que estão bem. Então, o melhor é pensar bem em quais áreas precisam de mais atenção e depois fazer o mais difícil - agir.

É impossível ter um equilíbrio total na vida

Não dá pra se ter tudo na vida.
Essa frase é triste, mas verdadeira. Se ganhássemos 1 real pra cada pessoa que está feliz em todos os aspectos da vida, provavelmente não teríamos grana nem pra comprar uma raspadinha. E mesmo se houvesse um felizão satisfeito com tudo, logo mais já não estaria tão satisfeito, porque é da nossa natureza querer sempre mais e almejar outras coisas que não temos. O felizão em questão então arrumaria alguma outra coisa pra desejar, alguma sarna pra se coçar.

Mas não é porque um objetivo é impossível que não devemos caminhar na direção dele.

Assim como o personagem do "felizão" ali é raro, você também dificilmente me convencerá que TUDO na sua vida tá ruim. Tentar enxergar a vida nesses diferentes espectros pode nos ajudar a ter uma visão melhor do que tá bom e do que tá ruim.

Fazer essa análise é muito útil. Primeiro para saborearmos e aproveitarmos o que está bom, assim como devemos aproveitar as pequenas coisas da vida. Segundo pra focarmos em pontos de melhoria, ao invés de ficarmos choramingando pelos cantos que "tá tudo uma merda".

Às vezes o feio fica bonito e o bagunçado fica mais claro só alterando-se o ângulo de visão, vai por mim.


Caramba! Gastei muitas horas no Photoshop fazendo esses gráficos que você viu aí no meio do texto. Então além de mendigar um comentariozinho seu sobre ter equilíbrio na vida, também peço que me diga se o capricho extra nas imagens - fazendo tudo à mão ao invés de pegar qualquer coisa na internet - valeu a pena ou se não fez muita diferença. Isso vai me ajudar muito a melhorar nos próximos posts. E passa lá no twitter pra trocar uma ideia comigo! ;))


6 comentários:

  1. @Milav_
    Gostei das imagens!
    Olha, uma coisa que me falaram dia desses: se vc quer ser rico( ou quer atingir algum objetivo grandioso), certamente vai gastar um bom tempo pra chegar lá, e vai ficar obcecado no processo ao ponto de esquecer do presente, das pessoas, dos amigos. Ah, e fora que ser rico é mt estressante! ahaha mt coisas pra cuidar!
    Aí me questionei: Oq me faz feliz? Um salário de 25 mil ( um dos maiores na minha profissao) e os beneficios que ele traz (mt vezes futilidades) ou ver sempre os meus amigos, me divertir com eles, ter uma casa ok, sem nada de mais? Fiquei com a segunda opção.
    Fora que, já trabalhei com a galera do 25mil, e jesus, quanta gente com problema de saúde! Sei de gente que paga mais de 2.500 em psico, fora os remédios...
    aaha bem louco meu comentário, mas é isso.

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    1. Camila, que interessante sua experiência com a galera dos 25 mil! Quanto à escolha profissional, muitas vezes é bem isso: família, amigos, sossego e tempo pra si mesmo X grana pra gastar. Sou simples e não me importo muito com bens materiais, então tô contigo nessa decisão! Curti muito teu comentário, obrigado! ;)))

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  2. Cara...! Que maturidade neste texto. O brother não é mais broder, pouco palavrão - eu sou uma senhora -, e tudo bem amarradinho. E gostei muito dos gráficos, principalmente o do dinheiro e o do coraçãozinho - opostos, mas sempre despertam a atenção. Tb larguei meu trabalho p cuidar do meu filho e ganhar bem menos, então, entendi perfeitamente. Parabéns.

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    1. Nossa, Lucia! Muito obrigado pelo elogio, pelo comentário e pelo feedback sobre as imagens! Até agora o pessoal gostou, então acho que valeu a pena! ;))

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  3. Na hora que bati os olhos nos gráficos pensei, "inusitado, mas criativo". Tenho em mente uma visão meio economicista da busca da tão falada felicidade: para obter a "meta" (felicidade) é preciso racionalizar o uso de recursos e otimizar o tempo, mantendo foco no que realmente é importante e alcançando "eficiência" (manutenção da sensação de bem-estar pelo máximo de tempo possível). Quando estou sóbrio (sic) gosto de afirmar essa visão desencantada mas otimista da vida rsrs... Não, agora sério, acredito, de fé mesmo, que nada pode ficar totalmente ruim - acredito que existe, por exemplo, uma lei natural não desvendada que impede que uma pessoa esteja totalmente só no mundo; sim, mesmo quando todas as pessoas parecem estar contra você, tem alguém (facilmente um único alguém), que irá se aproximar, muitas vezes sendo aquela pessoa que você menos imagina, que parece ter o mesmo perfil dos seus difamadores/detratores/perseguidores, mas que, por algum motivo, do qual nem ela é cônscia, é atraída para você. Sabe aquela imagem da flor que nasce no meio do deserto? Tenho sempre essa imagem comigo! A vida para mim é pedreira, ela se impõe a mim dessa forma, mas ao mesmo tempo existe uma força que não morre nunca: esperança! E volto aqui a ser nenhum pouco romântico: essa força é um instinto, talvez uma sublimação do instinto de sobrevivência, a qual se torna um incômodo quando é mais fácil pensar que a vida não tem mais jeito, no way, que é só isso mesmo e não há mais perspectiva alguma... isso chama-se preguiça mental e comodismo!!! Suspeito que é dessa inércia espiritual que você fugiu quando viajou para a China, e da qual ainda foge, certo? Queria ser assim, mas confesso que tenho uma indisposição terrível para encarar isso, e essa falta de presença de espírito age em mim como uma bigorna me atracando, ou melhor, como uma gorda moribunda montada em cima de mim ditando o ritmo de minha vida. Depois é fácil colocar a culpa em terceiros.

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    1. A sua indisposição terrível para encarar essa inércia mental não é tão terrível assim. Se você já consegue reconhecer a existência do problema e identificar quando outras pessoas tão tentando fugir dele, é porque já tem um alto grau de consciência da coisa, o que torna mais fácil encará-la de frente. Gostei muito do teu ponto de vista e confesso que ri alto na piadinha do final do comentário. Valeu por participar! ;))

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