Como lidar com a frustração nos projetos pessoais

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Horas escrevendo e editando um texto, criando imagens, postando e se esforçando para divulgar o próprio trabalho. O resultado? Poucas visualizações, às vezes nenhum comentário.

Trabalhar duro fazendo alguma coisa que ninguém vê é muito, muito frustrante. Claro que muito do trabalho que faço é feito pelo trabalho em si, por querer botar ideias pra fora ou por querer criar um conteúdo que de alguma forma possa ajudar alguém. Porém, isso quase nunca é suficiente. Escritor, pintor, bailarino, músico: quem cria precisa que do outro lado existam pessoas interessadas vendo. E não só vendo, mas mostrando suas opiniões sobre o que viram - interagindo, comentando, compartilhando. Quando isso não acontece, bate a frustração.

Se você cria qualquer coisa, deve ter passado por isso. Numa época onde muita gente tem um site, canal no YouTube ou até uma fanpage no Facebook, fica mais fácil entender a frustração que por muito tempo foi vista em outras áreas, como na cara do pintor que não consegue vender uma obra sequer, no semblante do escritor que publica um livro que ninguém lê.

Como crio vídeos para o canal e escrevo para este blog, esse tipo de frustração recai sobre mim mais vezes do que eu gostaria de admitir. Às vezes é difícil lidar com a ideia de que ninguém tá nem aí para o que você fala ou faz, ou que você não teve capacidade de chegar com o seu conteúdo até as pessoas que gostariam dele. Os quase 2 anos de blog foram na maior parte uma gangorra de emoções, com alguns trabalhos se mostrando frutíferos e outros que se mostraram um desperdício, acabando no total esquecimento.


Se eu escolher o caminho mais fácil e deixar a frustração me pegar de jeito, o doisbits estará acabado assim como tantos outros projetos internéticos que não passam do primeiro ano de vida. Por isso mesmo, a única forma de continuar a fazer o que faço é tentando saber como lidar com a frustração de forma inteligente.

Como lidar com a frustração nos projetos pessoais


Abaixo vou falar do que aprendi sobre como lidar com a frustração no blog e no canal, mas creio que muita coisa pode ser aplicada em qualquer projeto pessoal que você tenha - uma mudança de carreira, uma empresa e por aí vai.

Cuidado com as comparações

É normal nos compararmos com outras pessoas para saber como estamos indo. É uma forma válida de analisarmos o nosso desempenho. Porém, comparações são arriscadas. Primeiro porque costumamos (ou eu costumava, pelo menos) fazer comparações com pessoas que estão em graus de desenvolvimento muito superiores ao nosso.

Um exemplo: comparar meu pequeno canal com alguém já consolidado no YouTube. Meu canal tem um ano de vida, é pequeno e não possuo muitos vídeos. Não seria inteligente da minha parte fazer comparações com outros canais que possuem milhares de inscritos, conteúdo regular há anos e centenas de vídeos publicados. Simplesmente estaria comparando maçãs com bananas. Ou pior, estaria comparando uma banana verde com uma banana madura e apontando o dedo para a verde dizendo que ela não é madura o suficiente. São graus diferentes de maturação.

Ainda que apenas os fatores que citei (tempo de vida, número de vídeos, etc.) não sejam suficientes para levar um canal do verde ao maduro, certamente essa forma de comparação não é benéfica. O melhor a fazer, se for para continuar comparando, é encontrar outros canais, sites, negócios ou o que quer que você esteja fazendo que sejam de um tamanho semelhante ao seu - e aí sim usar como base de comparação. Se os parâmetros que você considera como sucesso forem muito inferiores aos de quem você está comparando, vale a pena analisar: o que a outra pessoa está fazendo "mais certo" que você? As chances de essa análise gerar algum tipo de informação válida para você melhorar são muito maiores do que comparando o verde com o maduro.

Isso vale também para quase qualquer área da vida: não dá para comparar seu salário de estagiário com o do seu pai, nem o número de países que você conheceu aos 20 com um casal na faixa dos 30 que explora o mundo em tempo integral.


Sucesso é um processo longo, não uma corrida de tiro curto

A não ser que você faça algo totalmente inovador, ou que seu talento seja realmente especial, as chances são grandes de que não importa o que você faça, só conseguirá sucesso no longo prazo - ao menos quanto ao entendimento geral do que é o sucesso.

Claro que há pessoas que conseguem sucesso do nada, que fazem criações fantásticas e do dia pra noite têm seu trabalho e talento reconhecidos, mas são a exceção. E mesmo essas exceções às vezes guardam histórias mais obscuras por trás. Um empreendedor que lançou um negócio de sucesso estratosférico hoje talvez tenha lançado outros 10 empreendimentos fracassados anteriormente. O Angry Birds foi sucesso do dia pra noite, mas antes dele a Rovio criou 51 jogos que não deram em nada.

Certa vez um brother me recomendou no blog um canal que seria semelhante ao meu. Dei uma olhada no trabalho desse cara, o Izzy Nobre, e curti algumas coisas. O maluco tinha 300 e poucos mil inscritos no YouTube e para mim, que tinha acabado de cair de paraquedas no canal dele, parecia que ele tinha chegado ali rapidamente. No final das contas fui descobrir que o cara tem o canal antes mesmo do YouTube ser conhecido, há mais de dez anos, e posta vídeos com uma frequência enorme. Esse rapaz me ensinou uma lição: fazendo alguns vídeos com conteúdo diferente e bem produzidos, o cara tá na luta há uma década para chegar onde chegou. Quem sou eu para me frustrar com qualquer dificuldade logo no início?

Pense em alguém que está ganhando rios de dinheiro agora. Talvez essa pessoa tenha ficado anos quase sem dormir, trabalhando naquilo 16 horas por dia e sem ganhar um centavo. Da mesma forma, um cara que é doutor aos 30 estudou igual a um condenado desde os 16, enquanto você ia pra farra.

Claro que nada vai pra frente se você não se esforçar. Mas a chave, me parece, é ter consciência de que as coisas demoram - para alguns mais, para outros menos - mas demoram.

Essa demora, que pode ser frustrante e entediante, também tem um lado positivo: ela testa o quanto você quer ou gosta daquilo. Se a falta de algumas dezenas de curtidas nas suas criações levar você a desistir, provavelmente não deveria nem estar tentando. Se a ideia de ter que suar duro sem obter reconhecimento pelo que você faz te mata, talvez seja melhor tentar outra coisa.

Faça porque gosta

Esse pode ser o conselho mais clichê do universo, mas no fundo tem muito de verdade. O fracasso e a rejeição podem deixar qualquer um mal. Se você não estiver obtendo o reconhecimento que gostaria pelo seu trabalho, como vai fazer para seguir em frente?

Claro que uma dose gigante de determinação pode te dar o empurrão que precisa, mas é difícil não desistir do seu projeto pessoal se lá no fundo não houver algo que te motive pra valer, independentemente de qualquer opinião de terceiros. Algo que te empurre pra frente por conta própria.

Por isso, faça por que gosta e ...

... faça o seu melhor

Tenho convicção de que este fator é essencial. Alguém incompetente e mau caráter pode ter muito sucesso por sorte, ou por ter contatos. Pessoas super talentosas podem morrer sem terem qualquer reconhecimento. Você não pode controlar os resultados de nada nessa vida, tudo pode acontecer diferente do que você imagina. Mas você tem total controle sobre o esforço que emprega em cada coisa que você faz. Fazer o seu melhor, isso você pode controlar. E é nisso que você deve focar.

A questão é se distanciar um pouco do resultado pelo resultado. O nosso ego quer sucesso e reconhecimento. O ego é acariciado a cada elogio recebido. Mas o quanto mais conseguirmos nos distanciar do resultado, melhor. Ao invés de buscar o resultado, faça com que dar o seu máximo seja suficiente para te deixar orgulhoso do seu próprio esforço.

Faça o que você quer fazer e faça bem. Dê o seu melhor e espere para ver o que acontece. Se der certo, maravilha. Se der errado, você pode se consolar sabendo que fez o melhor que podia. Pior seria ficar se lamentando por algo que você poderia ter feito e não fez.

O falecido treinador de basquete John Wooden pedia que seus jogadores mudassem suas próprias definições de sucesso:


Confesso que tenho bastante dificuldade com isso. Às vezes escrevo um texto, por exemplo, e fico matutando por horas tentando melhorá-lo. A partir de um certo ponto a coisa não anda e eu sei que poderia fazer melhor, mas não consigo. Quando fico empacado, acabo publicando mesmo assim porque acho melhor publicar algo do que não publicar nada, mas com a certeza de que poderia ir um pouco além - ainda que no momento não tenha sabido como.

Dá pra melhorar

Durante minha vida de blogueiro e agora criador de vídeos, já tentei mudar minhas estratégias dezenas e dezenas de vezes. Do logo à cor do logo, das entradas de vídeos ao texto de cada descrição, da divulgação spammeada à divulgação econômica no twitter. Busco ler sobre estratégias, ver o que dá certo no trabalho de outras pessoas e tento adaptar ao meu. Sempre tô mudando alguma coisa aqui e ali para tentar melhorar e fazer com que a mesma quantidade de esforço gere retornos maiores.

Não estou dizendo que sou inteligente na divulgação do meu trabalho, ou que meus métodos são os melhores, muito longe disso. Na verdade, justamente por não estar nada satisfeito com o que faço é que estou sempre buscando alterar e ver se encontro algo que seja melhor para mim.

Quando alguém entra aqui no blog, vê logo do lado direito um banner convidando o visitante a conhecer o canal no YouTube. Por alguns meses eu monitorei semanalmente os cliques neste banner e cruzei com a quantidade de novos inscritos no canal. Buscava fazer alterações, trocando as cores do banner, mudando a foto de fundo e alterando o texto para ver no que dava. Nenhuma das minhas alterações foi lá muito frutífera, até que um dia alterei algo quase imperceptível.


Antes, alguém clicava nesse banner e era levado ao meu canal no YouTube com um pop-up na tela para confirmar a inscrição no canal. Parece uma boa ideia, não? Já botar um botão de inscrever-se bem na frente da pessoa? Com o tempo, passei a perceber o meu próprio comportamento na internet: quando um site tenta empurrar alguma coisa goela abaixo assim, eu geralmente fecho o pop-up e crio uma certa resistência a dar meu e-mail ou me inscrever em qualquer coisa daquela fonte.

Viajando por alguns países, algumas vezes saí do aeroporto e fui confrontado com dezenas de taxistas se aproximando e gritando perto de mim, tentando se aproveitar da minha falta de rumo no local novo pra me enfiar num carro e lucrar com mais uma corrida. Eu simplesmente odeio esse tipo de experiência. Geralmente saio de perto dessa galera e busco seguir meu caminho do meu jeito. Na internet é parecido, você não quer que ninguém fique pulando na sua frente e gritando pra você entrar no taxi. Você quer olhar os táxis disponíveis, verificar outras opções de transporte e aí sim tomar uma decisão. Pensando nisso eu troquei o link daquele banner.

Agora, quem clica ali também é levado ao canal do YouTube, o que é esperado, mas dessa vez sem pop-up na tela. A pessoa tem a liberdade de navegar pelo canal como quiser e se inscrever se gostar, sem ser obrigada a nada. O resultado me chamou muito a atenção: a quantidade de cliques no banner continuou a mesma, mas as inscrições no canal quase dobraram. Além de gerar mais resultado, essa nova política do banner tem muito mais a ver com as coisas que eu acredito, com a filosofia por trás do meu trabalho. Então, tanto eu quanto os visitantes do doisbits saem ganhando!


Peter Norvig, diretor de pesquisa do Google, em seu artigo "Aprenda a programar em 10 anos".

A questão é não ficar parado confiando 100% no modo como você faz as coisas hoje. Se não está funcionando, por que não tentar algo novo?

Sucesso internético é exponencial

Sair do zero no começo é muito difícil. Ter os primeiros acessos num site, os primeiros comentários no seu trabalho, os primeiros inscritos no seu canal, ganhar os primeiros centavos com o que você faz. Mas os primeiros são sempre, sem exceção, mais difíceis que os segundos.

No YouTube, por exemplo, tive a sorte de não começar o canal do zero porque um pessoal que me seguia no twitter se inscreveu logo que eu comecei - mesmo assim não foram mais de 50 almas generosas. Dali pra frente, o crescimento sempre foi arrastado. Às vezes fazia algo que eu odeio fazer e spammeava o link de algum vídeo no twitter, mas mesmo assim não conseguia que uma pessoa sequer visse um vídeo meu e gostasse o suficiente para se inscrever. Às vezes isso durava muito tempo, semanas sem que alguém se juntasse ao canal.

Claro que as causas para isso são muitas, da qualidade dos meus vídeos aos temas que abordo. Mas a questão é que os primeiros 100 foram muito mais difíceis do que os próximos 100, que por sua vez foram no mínimo umas 10 vezes mais difíceis que de 400 para 500 inscritos, o estágio onde me encontro agora no YouTube.


O crescimento na internet é exponencial: quanto mais você evoluir, mais fácil fica evoluir. Por isso mesmo, o começo tem que ser de muita, muita paciência e determinação.


Se você gostou do texto e quiser me dar uma força, compartilha lá no Facebook ou manda para aquele amigo que não tá conseguindo ir pra frente em algum projeto pessoal. Espero poder ter ajudado você a fortalecer a sua mente contra as obscuras consequências de uma alma frustrada. E você, como lida com a frustração? Deixa um comentário! ;)


8 comentários:

  1. Cara, sempre que posso, passo aqui pra ler seus textos pois sei que vou absorver algo de bom daqui. Acompanho seu canal e fico triste por um conteúdo massa não ter a visibilidade quanto os canais de "pegadinha", tag etc. Canais sem conteúdo algum que va enriquecer a mente dessa galera que assiste. Mas gosto é gosto né..
    Mas é isso ai, work hard play hard!!
    Saiba que,mesmo não interagindo muito, existem pessoas que curtem seu trampo! Trampo esse que já me abriu a mente pra muita coisa. Muita coisa que achava que só eu, com meus 26 anos, passava!
    Enfim,continue com o trampo, nem sempre sucesso e fama será a recompensa mas, sim a ajuda e interferência positiva que, seus textos e vídeos, fazem na vida dos que te assistem.

    Grande abraço!

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    1. Muito legal teu comentário, cara! Obrigado pelo apoio!

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  2. Confesso que não sou um leitor frequente do blog, por falta de tempo mesmo. Mas sempre fico impressionado com a forma como você consegue desenvolver o tema e fazer com que o leitor absorva a mensagem do texto.
    Realmente, lutar pelo o que a gente quer não é fácil, independente do que for, e o segredo é isso o que você falou o mais difícil é o começo até começar a ver o projeto engrenando no rumo certo. A regra é não desistir!
    Parabéns pelo texto e não desista, cara!

    Abraços!

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  3. Parabéns pelo artigo !

    Não desista, é como você dise, o importante é gostar do que faz.
    E, penso que muitas pessoas veem o site, mas muitas não comentam.
    Eu mesmo sou assim, leio vários sites mas não sou de postar comentário.

    Li alguns posts e gostei, assim que puder verei outros. Os seus textos verbalizam as situações pelas quais muitos passam e já passaram.
    E os conteúdos ajudam a refletir.

    Continue a escrever novos artigos sim !

    Tudo de bom !!

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    1. Continuarei sim, Iuna! Obrigado pela força!

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  4. Muito bom, cara.
    Me motiva a continuar no meu canal do youtube. Eu tenho vontade de falar, as vezes, mas não quero e nunca quis falar para grandes massas.
    Eu tenho um canal com 70 inscritos mais ou menos, e já umas 3 dezenas de vídeos de gameplay e, apesar de não postar com frequência, recebo alguns comentários. Eu sempre fico me perguntando o que eu quero e porque eu não estou fazendo sempre. Na verdade eu queria gravar um conteúdo para pessoas que gostassem desse conteúdo e que estivessem lá apenas por estar, apenas por entretenimento, entende, não por conquistar pessoas e legados.

    Você citou o izzy nobre, um caso que eu vejo muito é o do monark (randons plays), o cara tem um canal gigantesco em nº (3 milhões de inscritos) e fez um sucesso desgraçado por causa de um jogo, e hoje em dia a impressão que ele passa é que ele não quer mais ser ativo no youtube porque ele não tem os mesmos números de antigamente.

    Quando você eleva sua expectativa fica difícil de trabalhar, se criar um conteúdo na internet querendo ser o júlio cocielo em pouco tempo vai se ferrar mesmo porque esses caras ralaram pra estar onde estão.

    Não sei se acrescentei muito ao papo mas é isso aí, continue com o ótimo trabalho!

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    1. E aí, Patrick!

      É muito massa a tua vontade de fornecer algo para a galera se entreter. Nosso timing complica um pouco as coisas. Hoje a "concorrência", digamos, é tão forte que tudo acontece devagar a não ser que você seja absolutamente extraordinário, o que não é o meu caso.

      A expectativa influencia tudo na vida. O que acontece só é bom ou ruim de acordo com o que a gente esperava antes. Vejo muito imediatismo, digamos um garoto que faz um vídeo apenas e sai spammeando por todos os lugares como se aquele começo de trabalho fosse levá-lo à glória de uma hora para a outra. Não é assim que as coisas funcionam.

      Valeu pelo teu apoio de sempre cara!

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